Memórias da Estação
E agora, que tenho vivido das memórias? De dias, noites, músicas, histórias. Dão a volta, giram e a vida não para. Mas as memórias ficam e fazem morada. São as abelhas do jardim. Polinizam as flores da minha imaginação. Polinizam você no meu coração. Memórias me levam ao mar, me fazem voar, me inspiram a criar e a dizer-te: que saudade sinto dos dias que passaram; das noites quentes do verão que se prepara para partir; vem aí o outono, e tal qual as folhas dos grandes carvalhos, testemunhas do nosso encontro, as memórias ganham tonalidade amarelada, textura ressequida, verdade velada, caminhos da vida. As folhas se desprendem das árvores, dançam com o vento; memórias se desprendem da realidade e dançam com a imaginação. Brincam comigo e trazem ao cume de todos os sentidos a saudade que dilacera meus sentimentos. E que saudade! Porém posso afirmar: memórias são amigas; prefiro tê-las a não tê-las. Deixá-las livres como as folhas do outono para que se renovem na primavera. Quero ter mais...