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Mostrando postagens de abril, 2020

Carta à Saudade

No emaranhado da vivência, caminhando a passos exacerbados, despedaçados, pela saudade que me alcança a cada instante, me agarra, me consome, me deita ao relento, enlaçando seus braços no meu peito. Choro por amor, choro. Por favor! Não deixe com que me consuma, com que queime o resto de pavio que guardei para sobreviver nas noites escuras de um inverno sem fim. Solidão que veste o manto negro do entardecer melancólico que entra manso pela janela do quarto, revestido de folhas, e folhas, e folhas, de um poema inacabado. Também choro pelas correntes que puseram nas minhas palavras, tímidas em grosseiro tom metálico, em que lágrimas vão enferrujando aos poucos. Nem sei mais o que são semanas ou meses; nem sei mais se existe manhã em dias de noites sem fim. Ah, saudade! Será que um dia vai me soltar? Será que um dia deixará eu caminhar sem tua presença enfadonha. Sem tua crueldade avassaladora de despedaçar-me tal como as árvores no final do outono perdendo suas folhas, uma a uma. Sabe, v...