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Mostrando postagens de setembro, 2018

Os Livros que Falam Comigo

Vejam só que curioso: passaram-se os dias, as semanas... E eu vivia com meu escritor morto dentro de mim. Algo um tanto quanto estranho, pois ainda morava com os livros que clamavam por suas leituras. Era como se o leitor chorasse pelo autor falecido. Poesia? Nenhuma... Tudo corrido, tudo normal, tudo sabático. Mas nesse tempo algo aconteceu. Os livros permaneceram ali, na mesa, empilhados aos montes esperando uma decisão minha. Apenas com meus olhos virados para suas capas, sem abri-las, eles sabiam que eu exista, assim como também sabia deles, mas sem ter nada para oferecê-los. Nem sequer o tempo que usufruía despreocupado. Eles, por sua vez, tinham o mundo a me oferecer. E eu negava. E negava a mim mesmo também: o leitor assíduo em sua hibernação. E onde estava o escritor? Morto! A morte do cronista, como já havia mencionado, ocorrida de forma tão sutil e silenciosa exprime a ideia de que as Parcas, ao cortarem o fio, devam utilizar uma tesoura de ouro. E lá se vai outra vez... Na c...