Contos Infinitos (OK)
Cá me viro outra vez, sem me reconhecer nos ínterins da tempestade. Sou aquele que se redescobre de época em época, e me vejo nos espelhos de todas as paredes que me serviram de escora. Não desperdicei lágrimas, pois vivi em tempos de muita chuva. Água era o que não faltava sob meus pés. Poças de resplandescências, ondulando a verdade que tinha sobre mim. Pois agora, que venho aqui apenas provar coisas já provadas, possuo a clareza das manhãs. O caminho é este: revelado. Orvalhado nas biografias que tracei para que pudesse sobreviver na escuridão. Por vezes, julguei não existir manhãs. Dobrei os joelhos quando vi os primeiros raios romperem o firmamento. E aos poucos o belo horizonte se projetava em poesia para as almas sensíveis de tanto viverem na esperança. O dia raiou e as aves cantaram. Eu, aquecendo as mãos, comecei a escrever o que via. Desisti. Larguei o lápis, rasguei os papéis, e fui ao encontro do infinito. Corri pelo vale, saltei entre outeiros, deitei-me nas gramas e olhei...