Contos Infinitos (OK)

Cá me viro outra vez, sem me reconhecer nos ínterins da tempestade. Sou aquele que se redescobre de época em época, e me vejo nos espelhos de todas as paredes que me serviram de escora. Não desperdicei lágrimas, pois vivi em tempos de muita chuva. Água era o que não faltava sob meus pés. Poças de resplandescências, ondulando a verdade que tinha sobre mim. Pois agora, que venho aqui apenas provar coisas já provadas, possuo a clareza das manhãs. O caminho é este: revelado. Orvalhado nas biografias que tracei para que pudesse sobreviver na escuridão. Por vezes, julguei não existir manhãs. Dobrei os joelhos quando vi os primeiros raios romperem o firmamento. E aos poucos o belo horizonte se projetava em poesia para as almas sensíveis de tanto viverem na esperança. O dia raiou e as aves cantaram. Eu, aquecendo as mãos, comecei a escrever o que via. Desisti. Larguei o lápis, rasguei os papéis, e fui ao encontro do infinito. Corri pelo vale, saltei entre outeiros, deitei-me nas gramas e olhei as nuvens; por um instante fui grande. Tão grande quanto o céu. Era aquilo que tinha: o presente dado. O passado era uma lenda e o futuro nunca existira. Gostei tanto do que vi que me esqueci das estrelas. E fui engolido pela noite e seus mistérios.
Parei por aqui. Nesta estrada conhecida. Os meandros se repetem. As aves já me conhecem e sabem o que quero. Descobri três coisas neste espaço vazio: respiração, pulsação e pensamento. Pilares da terra para a própria terra. O que eu farei com a sabedoria é coisa para depois. Agora, contemplação. Vejam só os detalhes. As estribeiras perdidas e reencontradas. Nada se compara com este desejo de descoberta. Viver é um constante reencontro. Comigo e com a terra; sonhos recordados depois de muito tempo acordado. Sobre as borboletas e suas flores, estão vivas. Ambas habitam as encostas do coração. E são felizes possuindo as cores das poesias que emocionam. Uma árvore nasce forte por aqui. Daqui um tempo, teremos sobra e água fresca. Um bom livro e contos infinitos.

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