Jardim de Silêncios

Jamais me esquecerei daquele jardim de silêncios. Suas flores, suas árvores, suas fontes, agora, se projetam em meu peito feito um sonho e uma esperança. Fiz uma promessa de um dia sentir meus pés em gramas como aquelas. Fazer acontecer a verdadeira paz que somente a passagem do tempo garante. Mas existem caminhos pela frente, e eu preciso escolher com sabedoria. Alguns, certamente, me levarão ao jardim. Outros, para o deserto das almas. Quis vir aqui dizer tais coisas para não me mostrar obsoleto diante da voz do coração que ecoa poesias no escuro. Escrever para mim ganhou outros moldes, outros movimentos e outros interesses. Preciso eternizar o jardim de silêncios fazendo certo barulho. Perco-me nos detalhes e já não vejo a hora de voltar. Por isso, sinto que estou fazendo o que há de melhor. O retorno. Não me importo com a confusão das palavras. O importante é que elas existam, como existem agora.

Filipe, meu nome. O que mais? O que carrego além de três sílabas e três palavras. Um sobrenome, talvez. Mas existe algo incompreendido. Pela primeira vez me olhei ao espelho e vi um homem adulto. Um peso nas costas. Uma profundidade nos olhos mais secos que o normal. Como o tempo passa rápido, ao ponto de me fazer sonhar com um jardim. E me prometê-lo. Eu, que há mais de um ano moro na capital de Minas Gerais, busco o silêncio do interior perdido dentro de mim. Meu Deus! Quantos traumas superados para chegar agora e dizer assim: na mão esquerda levo verdade; na direita, presente. A responsabilidade é um pingente preso ao cordão invisível. Você a sente perto do coração e não entende o que está acontecendo. Mas age conforme o peso que tem ao redor do pescoço. Ainda tenho algo nos pés que não sei o que é. Quando descobrir, talvez fale, talvez plante no jardim de silêncios que por ora é apenas um sonho. No mais, tudo é vivência de flores que encontraram a felicidade sendo flores. Pássaros que aprenderam a cantar. Vazio preenchido de palavras. 

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