Eu e Parte de Mim
Por que vivo me imaginando sentado em uma poltrona, lendo livros encantados? Que histórias marginalizadas são essas que tanto faço contato no pensamento? Digo que estão à margem por não mergulharem de uma vez na correnteza da minha vida. Volto ao passado, vejo palavras simples, envergonho-me de ter sido tão pouco quando poderia ser muito. Mas fui o que fui e agora a imagem: um velho senhor, realizado com as coisas a sua volta, de costas para uma janela de onde se projeta um jardim de muitos sonhos. Seria uma das muitas faces que tenho de mim? Ou eu não me conheço suficientemente bem para saber que tipo de pensamento é este? A vida continua carregando gracejos, enquanto as aves mergulham sem medo nesse rio que sou eu e, ainda assim, nem sequer toquei com os pés o leito de areia macia. É o que eu acredito. Uma loucura, atrás de muitas outras. Pedras que se revelam quando há seca. Eu devo ter me desequilibrado com os dias mais quentes que o normal para falar coisas assim. Essa conversa de...