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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

Paisagem de Existir

Cortinas nas janelas. Ventania no coração. Algo balança de cá, ressoa de lá, naquela paisagem de tantos anos. Ressignificando o horizonte de caminhar. Caminhei por aquelas bandas, jogando com as nuvens que voavam acima, molhando os pés nos riachos, cantando com os pássaros algo novo para me animar. E não é que cheguei aqui... Por inúmeras estradas, debruçando-me neste parapeito e sentindo o vento soprar. E lá se vão as cortinas, escancarando tardes preciosas de sol, contrastadas no verde de montanhas e no azul de todos os infinitos. Quantos foram mesmo? Um punhado que cabia na palma da mão, jogado ao caminho para germinar. É bom que tudo tenha a oportunidade de virar jardim um dia.

Outro Momento

Estou doente já faz algum tempo. Essa doença de se olhar no espelho e não se reconhecer. De primeiro ouvia o canto dos pássaros e me emocionava com isso. Agora? Agora só desespero. Eu me perdi no meio do caminho. Achei que estava tudo bem. Senti a segurança dos iniciantes e me esqueci de manter o norte. Não deu outra. Dentro de poucos dias, os passos deixaram de fazer sentido. E tudo se desfez em nuvens de poeira. Quero falar um pouco de mim. Ou melhor, do que eu costumava a ser. Havia calma pelos cantos. A mente distinguia as cores da tarde. As palavras se ligavam umas as outras. Alguém cantava uma canção para eu ouvir. Eu gostava disso. Era algo que me emocionava. Também percebia mais o verde das plantas, o vento adentrando, a hora de tomar café e as páginas que virava. Parece que já faz muitos anos. Aqueles momentos de se ler em paz. Já perdi meus poderes de leitor e agora tento me reinventar voltando à casa dos sonhos perdidos, ao barco deixado na praia, à caixa secreta daquilo que...