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Mostrando postagens de julho, 2021

Fragmento do Coração

Os dias costumam brincar de humoristas sentimentais, fazendo piadas com os corações desconsolados. As noites carregam consigo a caixa de gargalhadas ecoadas ao vazio, tirando da essência da emoção a estrela para iluminar tamanha escuridão. Por que sentir é tão ridicularizado às mentes vazias? Lugar de risos forçados e frases prontas de efeitos baratos. Há muito deixei as sombras da indiferença, inundando meu coração de sentimento. E desde então me tornei o maior palhaço do circo das banalidades. O ato principal de um teatro falido. A voz destoada de um concerto qualquer. Sentir virou chacota, e eu só descobri depois de me entregar ao sentimento.

Corrente de Boas Vibrações

Minha mente transformou-se numa máquina. Vem processado informações como nunca antes havia experimentado. Tudo em função de uma causa maior que há muito venho discorrendo em textos avulsos. No mais, sinto-me inspirado, preparado, condicionado e extremamente competente para seguir o caminho que me propus. Depois de alguns dias sombrios, vagando ao leu do desespero e do ócio, eis que surge a tão quista luz ao fim do túnel. Abracei os raios do sol. Na sinceridade do meu querer, nasce a flor da esperança. A certeza da felicidade e da conquista. A força do preparo e o caminho a ser traçado. O futuro se estende a minha frente como quadros em aquarela, movimentando suas cores por sobre a água. A arte ganhou vida e eu respiro em tranquilidade por contemplar tamanha beleza. Sou fruto de árvore virtuosa; não nasci para apodrecer no campo da sequidão, mas para prosperar semeando as virtudes que me foram concedidas em prol de um bem maior: destacar os benefícios do caminho. Afinal, todos eles têm ...

Navegar e Sentir

Calafrios pela manhã depois de uma noite turbulenta. A falta de lampejos para guiar os pensamentos é como nadar num lago sem margens, beirando sempre um precipício marcado pela dúvida do cair. Sonhei com o barco das ilusões, navegando de um lado ao outro sem chegar a lugar algum. Lançada a rede de pesca, só veio os ecos de um passado afogado nas águas congelantes da esconsa vida repousada nas profundezas pedregosas.  Frio exibicionista. Das últimas palavras direcionadas a ele, vem meter-se verbos diligentes para reger o coro das estações. O frio está em mim, mas permaneço resplandecendo nos entraves verbais. Pego, desmancho, mudo e reconstruo. Na esperança de encontrar beleza numa singela folha de um ramalhete sem flor.  Eu era criança e não sabia. Brincava com a seriedade de um adulto em seu ofício. Labores de um ocaso quase esquecido nas fendas das rochas que se precipitaram diante do caminho. E quer saber mais? Cansei de falar sobre caminhos. De que valem se o relógio parou...

Montanhas e Oceanos

Aqui o sol bate na folha, bate em mim, na caneta e nas curvas das palavras. Deixaram de ser minhas para serem livres nas encostas de uma serra sentimental. Intransponível aos que carregam consigo o peso de sonhos abandonados. São montanhas de esperança, vestidas de verde, trazendo aos corações a nébula de alento que faz de cacos uma obra; de lágrimas, um rio colorido serpeando a essência dos que ouvem os bramidos desesperados de quem há muito fez das cinzas um manto de dor. São vozes abafadas por batalhas perdidas, mas não silenciadas. Em seus corações, a esperança se faz flor e rompe a casca para chegar à luz.  Eu vivi uma vida. E caminhei por caminhos outrora tão próximos que hoje se vão nas brumas do tempo. Tempo este que passou rápido demais; vivi tantas fases e muito andei para chegar aqui e dizer: não me perdi, apenas optei por fazer uma caminhada mais longa.  Agora o frio me contorna, minha atenção vaga às praias em cuja areia marquei meus passos. A criança que fui nado...