Montanhas e Oceanos
Aqui o sol bate na folha, bate em mim, na caneta e nas curvas das palavras.
Deixaram de ser minhas para serem livres nas encostas de uma serra sentimental.
Intransponível aos que carregam consigo o peso de sonhos abandonados.
São montanhas de esperança, vestidas de verde, trazendo aos corações a nébula de alento que faz de cacos uma obra; de lágrimas, um rio colorido serpeando a essência dos que ouvem os bramidos desesperados de quem há muito fez das cinzas um manto de dor.
São vozes abafadas por batalhas perdidas, mas não silenciadas. Em seus corações, a esperança se faz flor e rompe a casca para chegar à luz.
Eu vivi uma vida. E caminhei por caminhos outrora tão próximos que hoje se vão nas brumas do tempo. Tempo este que passou rápido demais; vivi tantas fases e muito andei para chegar aqui e dizer: não me perdi, apenas optei por fazer uma caminhada mais longa.
Agora o frio me contorna, minha atenção vaga às praias em cuja areia marquei meus passos. A criança que fui nadou pelas ondas sem chegar em terra firme. Eu adulto continuo nadando, na esperança de encontrar uma ilha para me fazer.
Nessa ilha terá árvores, flores, pássaros e um gramado bem verde para eu caminhar. Terá uma casa modesta e confortável, com grandes janelas de madeira para eu ver as estrelas pontilhando as noites. Uma varanda quente, brisa de veraneio, amor incondicional e cheiro de café pela manhã. Fumaça subindo na chaminé e água jorrando da bica.
O mar secou, e da ilha nasceu floresta. Densa e misteriosa. Sem caminho; sem chegada ou partida. A casa se perdeu. E eu perdi a ilha. Das ondas que antes cortava, hoje só lembranças. Mas o sonho continua como um barco à deriva no oceano onde os sentimentos se fazem peixes. Nunca os pescarei, mas nadarei com eles. Afinal, o oceano sou eu.
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