Janelas Fechadas
Eu, que vi as janelas se fecharem, caí de joelhos no quarto de dormir. Antes de anoitecer, já era noite em minha casa. Já havia tomado o escuro pelo braço e caminhado pelos corredores de muitas portas. Essa casa... Bem, essa casa não era de tijolos nem de pedras. Não tinha móveis ou obras de arte. Apenas muitas portas e janelas. Que se abriam e se fechavam, aqui e ali, batendo e rebatendo, contando e descontando suas intenções escondidas. Portas e janelas! Não é hora de chorar pelos textos que não escrevi. Aqueles que passaram por minha mente, nas frestas do ocaso, brincando na casualidade dos fatos. Depois, foram-se embora até se perderem. Eu nunca mais os encontrei. Embora saiba que um dia eles caminharam pelos corredores de minha casa. Tais textos nunca foram meus. Não tinha como escrevê-los. Vieram de surpresa, preenchendo os espaços vazios. Tacando fogo na escuridão. Lampejando de sonhos a miríade de ilusões que se fantasiavam de verdade. Foi triste a partida. Na ventania, pu...