Por Acaso
Neste fim de domingo, consegui fazer tudo o que precisava. Agora, jogo os dados na mesa, brinco com a sorte, penteio os cabelos do tempo, sabendo que vou sonhar à noite. A sensação de estar fazendo o melhor que se pode é uma estrela solitária na noite escura. Eu mesmo tive medo de apontar-lhe o dedo, acreditando que fosse nascer uma verruga em mim quando assim o fizesse. Apontar para uma estrela: marca d´água cheia de nuances e crendices supérfluas para sabotar a beleza do simples. Não acreditava que fazia o meu melhor exatamente por isso. Por ser simples demais. Amanhã, mais uma vez, contemplarei o dia em sua plenitude. Desde o seu nascer, até o seu ocaso. Quisera eu usar a palavra "poer" para trazer à tona uma harmonia forçada. Ocaso que é ocaso, lembra acaso. Entre os casos de todo dia, muitos sóis já se puseram. De todos os "por acasos", contemplar o nascer de um entre tantos dias é o mais sublime. É a forma mais poética de se recomeçar. De se redescobrir. Eu a...