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Mostrando postagens de maio, 2023

Claro e Profundo

Eu não deixei de escrever. Apenas voltei à raiz para encontrar um novo meio. Ficar mais próximo da terra me faz bem. Encostar no papel também. E sujar as mãos de tinta me faz lembrar de quando cuidava de uma grande horta. Tempos passados não entram mais pela única janela aberta. Hoje tem sol, tem céu, tem tarde silenciosa, tem tentativa frustrada de meditação, tem sensação de feridas abertas e peso de saudade no coração. Amanhã é domingo, mas o hoje é que importa. Queria vivê-lo para sempre, perdido na trivialidade do nada para se fazer. O que eu podia, certamente, foi feito. Contemplei as paredes, revivi os fantasmas, despertei as ideias para nadarem contra a correnteza. Tudo isso em uma tarde. Eis a arte de se preencher os vazios. Nada sei a respeito dos finais. Sempre houve um parágrafo para eu recomeçar. Tudo voltará para o início da folha. A história acontece não na escrita, mas na leitura. E cada um lê conforme aprendeu. No meu caso, aprendi com as traças. Roendo de dentro para f...

Alguma Coisa Incomum

Lembre-se sempre de quando pegava a caneta para escrever avulsamente. Não é porque agora encontrou uma razão que as palavras deixaram sua força de caçadoras de sonhos. O tempo que passou sonhando com elas é precioso. Anos e anos deixando ser guiado pelas páginas trouxeram você neste ponto. Quase um final, se não soubesse que existem mais livros na estante. Podemos ir com calma; é a melhor opção. Uma hora chegamos onde quer que seja, mas, por ora, vamos viver este instante infinito que o ponteiro vem marcando. Depois é depois... Este é o fragmento esquecido. Aquele das questões incompreendidas. Do coração que bateu uma vez à porta e não esperou que alguém a abrisse. Voltou pelo caminho que veio, mas não o reconheceu. Foi quando percebeu que voltar não é reviver o passado, mas aumentar as margens do futuro. Uma noite como muitas é exatamente sobre o que eu digo: parece o precipício da mesmice, até espraiar os passos do coração que caminha no escuro. Cada noite é única e cada dia traz con...

O Olimpo dos Insetos

— Dizem que as árvores são os pilares do mundo! — falou um velho besouro para o seu neto. — Mas, vô... Eu não entendo. O que pode ter lá em cima? Certamente, os besouros que habitavam o solo jamais entenderiam os mistérios que as árvores gigantescas da floresta escondiam. Corria um boato sobre seres mitológicos que moravam nas alturas, responsáveis por aqueles que tinham o chão como seu lar. Mas, de tal maneira, era apenas um boato. — Não cabe a gente pensar sobre o que há — respondeu o avô —, mas sobre o que vamos fazer com essas folhas que caem. Vamos! Temos muito trabalho pela frente. Enquanto isso, no mundo dos humanos: Cientistas descobrem que maior parte dos insetos que habitam as copas das árvores da Floresta Amazônica nunca estiveram no solo. O Olimpo dos Insetos surge para os pequenos invertebrados como a Atlântida perdida. Lar de seres que compõem histórias de riquíssima aventura. Avançados no tempo e nas razões de viver como verdadeiros insetos. Todavia, se por um instante a...