Claro e Profundo
Eu não deixei de escrever. Apenas voltei à raiz para encontrar um novo meio. Ficar mais próximo da terra me faz bem. Encostar no papel também. E sujar as mãos de tinta me faz lembrar de quando cuidava de uma grande horta. Tempos passados não entram mais pela única janela aberta. Hoje tem sol, tem céu, tem tarde silenciosa, tem tentativa frustrada de meditação, tem sensação de feridas abertas e peso de saudade no coração. Amanhã é domingo, mas o hoje é que importa. Queria vivê-lo para sempre, perdido na trivialidade do nada para se fazer. O que eu podia, certamente, foi feito. Contemplei as paredes, revivi os fantasmas, despertei as ideias para nadarem contra a correnteza. Tudo isso em uma tarde. Eis a arte de se preencher os vazios. Nada sei a respeito dos finais. Sempre houve um parágrafo para eu recomeçar. Tudo voltará para o início da folha. A história acontece não na escrita, mas na leitura. E cada um lê conforme aprendeu. No meu caso, aprendi com as traças. Roendo de dentro para f...