Alguma Coisa Incomum

Lembre-se sempre de quando pegava a caneta para escrever avulsamente. Não é porque agora encontrou uma razão que as palavras deixaram sua força de caçadoras de sonhos. O tempo que passou sonhando com elas é precioso. Anos e anos deixando ser guiado pelas páginas trouxeram você neste ponto. Quase um final, se não soubesse que existem mais livros na estante. Podemos ir com calma; é a melhor opção. Uma hora chegamos onde quer que seja, mas, por ora, vamos viver este instante infinito que o ponteiro vem marcando. Depois é depois...
Este é o fragmento esquecido. Aquele das questões incompreendidas. Do coração que bateu uma vez à porta e não esperou que alguém a abrisse. Voltou pelo caminho que veio, mas não o reconheceu. Foi quando percebeu que voltar não é reviver o passado, mas aumentar as margens do futuro. Uma noite como muitas é exatamente sobre o que eu digo: parece o precipício da mesmice, até espraiar os passos do coração que caminha no escuro. Cada noite é única e cada dia traz consigo a novidade do amanhecer.
Amanhã veremos o que será feito. Neste instante, paro de pensar. Sou conduzido pelas palavras que não passaram por minha mão esquerda. Foram direto para a tela ocupar o mundo das virtudes. Depois de tanto escrever, encontrei o que procurava. Água no deserto. Cores na neblina. Uma casa para me hospedar.
Não me lembro de quando deixei de ser hóspede para ser morador. Há muito não deixo esta casa das palavras. Não é à toa que hoje acordo às cinco e meia da manhã para encontrá-las no quintal como flores. Apesar de nem todos os dias haver sol. 
Este é um texto que ultrapassou os limites do tempo. Nasceu esquecido para viver recuperando as memórias perdidas. Nos dias de hoje, uma raridade. Quando escrever a mão passou a ser prioridade, o som do teclado ficou para trás. Como muitas outras coisas também ficaram. Posso confessar que isso não é um desfecho. É apenas uma estrada sem saída. Contudo, há sempre saídas quando se viaja a pé. Há sempre histórias quando se escreve a mão.

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