O Olimpo dos Insetos

— Dizem que as árvores são os pilares do mundo! — falou um velho besouro para o seu neto.

— Mas, vô... Eu não entendo. O que pode ter lá em cima?

Certamente, os besouros que habitavam o solo jamais entenderiam os mistérios que as árvores gigantescas da floresta escondiam. Corria um boato sobre seres mitológicos que moravam nas alturas, responsáveis por aqueles que tinham o chão como seu lar. Mas, de tal maneira, era apenas um boato.

— Não cabe a gente pensar sobre o que há — respondeu o avô —, mas sobre o que vamos fazer com essas folhas que caem. Vamos! Temos muito trabalho pela frente.

Enquanto isso, no mundo dos humanos:

Cientistas descobrem que maior parte dos insetos que habitam as copas das árvores da Floresta Amazônica nunca estiveram no solo.

O Olimpo dos Insetos surge para os pequenos invertebrados como a Atlântida perdida. Lar de seres que compõem histórias de riquíssima aventura. Avançados no tempo e nas razões de viver como verdadeiros insetos. Todavia, se por um instante alguém do solo subisse à copa, teria uma surpresa embaraçosa.

— Será que algum inseto já saiu desses galhos tortuosos? Se não, eu serei a primeira — dizia uma coleóptera inquieta para o seu irmão mais velho.

— Todos que tentaram, morreram.

— Nossa! O que é que pode ter de tão ruim depois desse tronco sem fim?

— Só escuridão. Dizem que lá embaixo estão os piores seres do mundo. Você se lembra da velha cigarra, que fez amizade com as saúvas? Quis descer para encontrar respostas sobre a vida. Encontrou foi a morte na descida. Nunca mais foi vista por ninguém.

— Ué. Achei que ela tivesse feito amizade com um pássaro e ido morar em outra árvore. Ela não viajou nas costas dele?

— Maninha, como isso é possível se a cigarra também voava?

— Puxa! Que coisa, não?!

Enquanto isso, no mundo das árvores:

— Amiga, adorei seus insetos! — disse uma seringueira para sua vizinha pupunha. — São tão coloridos e raros, combina com você.

— Gostou? Foram as guarubas que me trouxeram lá do outro lado do rio. Em troca, deixei elas fazerem ninho por aqui. E você, querida? Que lindas essas tanajuras! Um verdadeiro colar de pérolas. Combina com seu tom esverdeado.

— Ah, amiga, obrigada. Você é muito gentil. Mas aqui, cá pra nós. Você viu o que a palmeira tem usado ultimamente? Estou chocada!

— Vi, menina! Dizem que ela mandou trazer de longe. Um bando de pássaros teve de fazer o trabalho para saciar o capricho da imperatriz.

— São joaninhas verdadeiras?

— São, amiga! Tem da vermelha e até da amarela.

— Nossa! Quem pode, pode!

— Em compensação, a pobre da andiroba só tem cupim.

— Menina, coitada!

— Mas quem somos nós para julgar, não é?!

E na floresta se ouvia um cochicho indecifrável. Ninguém sabia de onde vinha. Nesse mundo dividido pelas árvores, o único conhecimento em comum era o seguinte: quem estava em cima queria descer e quem estava embaixo queria subir.

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