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Mostrando postagens de junho, 2023

Alguma Coisa de Memória

Pensei em tantas coisas legais, cores e formas magistrais, beleza sem ares iguais. Mas tudo se foi com o cansaço. Este início se foi com o tempo. Retornou com a vontade de me expressar buscando formas abstratas para moldá-las. Agora, aproveitei o tempo para vir até aqui, no púlpito dos esquecidos, para me redimir. Peço-lhes perdão pelas memórias cultivadas. No lugar onde todos querem a graça do esquecimento, eu fui a resistência. Recordei-me por completo de tudo. Ato não voluntário, mas culposo. Daqueles sem intenção de matar. Porque só morre mesmo quando se esquece. E, ao que tudo indica, enquanto estiver vivo, terei lembrança. Mas, para falar a verdade: este texto não conversa comigo. Um papo frouxo de lembranças rebeldes, beirando a mesquinharia da existência. Uma bobajada sem igual. O que vim fazer, realmente, foi desperdiçar alguns minutos deste dia que já chega ao fim. Faltam menos de vinte minutos. A frase inicial, escrita há alguns dias, é o marco temporal que vive se esquivand...

Pontos e Silêncios

Daí, as coisas vão se transformando. Eu não sei muito bem onde estou. Sei apenas reconhecer os silêncios onde antes existia melodia. A música parou de repente e quando eu percebi, bem, alguma coisa muito ruim aconteceu. Dentro de mim, obviamente. Pois do lado de fora tudo estava conforme sempre esteve. Eu não perceberia nada se fosse surdo. Mas Deus me deu uma audição boa o bastante para perceber pequenos detalhes. Ruídos. Coisas que se foram para sempre. Ou quase sempre. Talvez voltem depois que eu me virar. Sigo com o pescoço rígido, negando-me os lados para onde não quero olhar. Nem os olhares acompanham mais as assustadoras sombras das beiradas. Passaram-se horas. Perdi o fio. A linha arrebentou. A vida passou. E sol... Continua a adentrar pela janela escancarada, marcando o guarda-roupas com uma forma em diagonal, fazendo-me lembrar da infância. Aquele feixe de luz como pequena capela perto da porta do quarto onde dormia. Era o meu templo. A maior sacralidade que podia conceber na...

A Mentira Construída

Ao longo do caminho, fui pegando coisas irrelevantes porém pesadas de mais, como os medos supérfluos de querer me provar como alguém que nunca fui. Quando tentei jogar a carga fora, ela estava tão presa às minhas vestimentas que minha única opção seria tirar tudo para poder seguir adiante. Daí veio a vergonha de caminhar despido. Como poderia prosseguir? Aos poucos, fui tirando coisas daqui e coisas dali até o limite da capacidade. Comecei a entender pequenas artimanhas que usei para me esconder quando não satisfeito comigo mesmo. Puramente e substancialmente, modificava todas as pegadas julgando meus pés. Eles, responsáveis por toda a trajetória, não eram benquistos. A partir daí, muitas coisas difíceis aconteceram. Perdi o fôlego, tremi na base, quis fugir para as sombras, sacrifiquei meus sonhos, quase virei um ponto mal feito na escuridão, simplesmente por não aceitar as minhas pegadas. Queria, mais que tudo, trocar de sandálias mesmo estando boas para seguir viagem. Quanta imaturi...