Alguma Coisa de Memória
Pensei em tantas coisas legais, cores e formas magistrais, beleza sem ares iguais. Mas tudo se foi com o cansaço. Este início se foi com o tempo. Retornou com a vontade de me expressar buscando formas abstratas para moldá-las. Agora, aproveitei o tempo para vir até aqui, no púlpito dos esquecidos, para me redimir. Peço-lhes perdão pelas memórias cultivadas. No lugar onde todos querem a graça do esquecimento, eu fui a resistência. Recordei-me por completo de tudo. Ato não voluntário, mas culposo. Daqueles sem intenção de matar. Porque só morre mesmo quando se esquece. E, ao que tudo indica, enquanto estiver vivo, terei lembrança. Mas, para falar a verdade: este texto não conversa comigo. Um papo frouxo de lembranças rebeldes, beirando a mesquinharia da existência. Uma bobajada sem igual. O que vim fazer, realmente, foi desperdiçar alguns minutos deste dia que já chega ao fim. Faltam menos de vinte minutos. A frase inicial, escrita há alguns dias, é o marco temporal que vive se esquivand...