Alguma Coisa de Memória
Pensei em tantas coisas legais, cores e formas magistrais, beleza sem ares iguais. Mas tudo se foi com o cansaço.
Este início se foi com o tempo. Retornou com a vontade de me expressar buscando formas abstratas para moldá-las. Agora, aproveitei o tempo para vir até aqui, no púlpito dos esquecidos, para me redimir. Peço-lhes perdão pelas memórias cultivadas. No lugar onde todos querem a graça do esquecimento, eu fui a resistência. Recordei-me por completo de tudo. Ato não voluntário, mas culposo. Daqueles sem intenção de matar. Porque só morre mesmo quando se esquece. E, ao que tudo indica, enquanto estiver vivo, terei lembrança.
Mas, para falar a verdade: este texto não conversa comigo. Um papo frouxo de lembranças rebeldes, beirando a mesquinharia da existência. Uma bobajada sem igual. O que vim fazer, realmente, foi desperdiçar alguns minutos deste dia que já chega ao fim. Faltam menos de vinte minutos. A frase inicial, escrita há alguns dias, é o marco temporal que vive se esquivando de ser presente. "Agora" que oscila entre ir e vir, ser e estar, querendo a graça do passado nas lembranças reviradas e o fervor do futuro na própria ambição de julgar-se eterno. Eterno mesmo, ninguém. Mas não custa acreditar, não é?! Que tudo pode ser eterno e por isso o tempo nada significa. Uma mentira deslavada. Mais clichê impossível. E eu estou de saco cheio de escrever tantas bobagens.
Sim, cheguei a uma conclusão: estou em uma nova fase de transição. Reformulando a escrita para me redescobrir nas estribeiras perdidas. Uma expressão nova aqui e outra saturada ali fazem do texto um sambódromo cheio de alegorias, cuja apoteose é um mísero ponto final, redondo e sem graça. O início que também é o fim: o infinito, interpretado dentro de nossas finitudes.
A verdade é que nem era para eu estar aqui. A esta hora?! Claro que não. Amanhã, segunda-feira; era para eu já estar deitado, pensando nos problemas como sempre fiz. Mas eu mudei. O mundo também. E os problemas perderam o sentido. Não me fazem dormir como antes. Não terei compromissos amanhã por causa disso. Posso me deitar a qualquer hora. Ser quem sou e usar as palavras que bem entender. Já havia dito que uma história não acaba no ponto final. Então, que palhaçada é essa de fim? Se for para finalizar o texto, que seja com uma vírgula, simplesmente, ou com alguma pergunta. Perguntas sempre são mais. Vão além para virarem a imaginação do avesso. Podemos fazer assim?! Calma! Não é para vocês que eu devo perguntar. É para mim. Então, meu caro, de onde quer prosseguir? Do início ou de onde parou? Onde foi mesmo que você parou?
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