Retalho e Tempestade
Voltei querendo ser tempestade, para rasgar os breus do meu desconhecido. A briga pelo que julgo ser meu prevalece em dias como este, mesmo eu não tendo nada. Mesmo a chuva tendo passado e a tarde cinzenta se prolongado com franjas tímidas de sol. Firmando a raridade dourada do que se diz valioso. Como se valor fosse medido por resplandescência. Mas, talvez, uma linguagem rebuscada feito esta para tratar de coisas simples tenha seu alicerce condenado pelo silêncio de uma tarde qualquer. Já não sou eu que escrevo. Gosto mesmo é das páginas. Elas possuem poesia ainda que estejam vazias. Confesso que foi por aqui, nestas linhas marginais, que me fiz como condutor de orações. Se passei para o caderno foi porque mantive firme as raízes no deserto que, mesmo tendo abundância de sol, nunca resplandecia. Sempre tinha a mesma cor ocre; um dourado fosco formando o horizonte de quem sonhava com montes verdejantes. Encontrei na capa de um caderno verde uma razão para seguir adiante. Não falava mai...