Flores Livres (OK)

Foram-se os sons da noite

Retumbando os mistérios de viver.

Para além do horizonte,

Luzes de morrer.

As notícias chegam por todos os lados.

Rio de sonhos inundado

Por sangue derramado

Dos que acordaram na escuridão.

Nós não acordamos àquela hora.

Fizemos barulho enquanto eles se calaram.

Tiramos fotos e estampamos as capas dos jornais.

Ninguém quis saber o que houve.

Mas lá estava, no chão batido,

No tempo passado da noite esquecida,

A lágrima desprendida

Que fez brotar a mais simples de todas as flores.

Ainda assim, era uma flor.

Trouxe paz em meio à guerra.

Amanheceu a madrugada

Rasgando o breu bombardeado

Para contemplar a solidão de nascer bela frente ao desespero.

Jamais soube que outras flores formavam jardins.

Foi-se embora no mesmo dia

Ouvindo vozes exaltadas.

Perdeu a chance de sentir na alma

Uma canção que fosse,

Porque, para ela, o som era batalha.

Jamais entenderemos a sensação

De nascer aquém do horizonte

Onde existir já é resistência.

Ninguém sequer mensurou o privilégio

De se abrir a janela e ver,

Tão somente,

Jardins

E flores livres.

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