O tempo, o caminho e o recomeço...

Minha vida está mudando para melhor. Estou conquistando, pouco a pouco, o meu espaço. Quanta coisa mudou de lá para cá; os três, os novo, os todos metros quadrados aos quais eu, por livre vontade, costumava me prender. Agora que tenho mil e um horizontes, infinitas janelas, as ruas dos meus jardins, volta ao espaço pequeno onde voava às vezes. Voava pelas linhas, pelos recomeços, pelos parágrafos marginais, tantas vezes às margens de mim. E a música continua. Alcança os infinitos dos meus dias corridos. Eu até que cogitei a ideia de não voltar. Virar as costas. Enxergar o destino como uma linha reta. Tudo para pegar a caneta e escrever lentamente no papel que ainda estou tentando e tentando, sabe-se lá o que mais. Contudo, as linhas se arrebentaram. Estava no espaço, na escuridão de tudo quanto há, na grandeza das coisas pequenas. Vi o passado, voltei e reaprendi. Retornar também é andar para frente. E as voltas da vida ressurgiram. De novo ao futuro. Brincando com o presente. O tempo se estendendo. O aqui no no agora, no distante do ser, no lá dos sertões e dos livros que já li. O depois no verso da memória, no instante que rasgou o presente, que uniu as pontas da toalha, no íntimo da banalidade das horas.

Que bom que, de tudo, aprendi a amar e a respeitar. A fazer silêncio. A compreender. A usar os pontos finais e não a continuar a mesma história depois. Aquela de sempre, que faz as coisas acontecerem de novo até a exaustão. Ainda gosto de escrever, de encher as mãos de palavras como se fossem areias do fundo do mar. Os pássaros, as manhãs, os quadros, as cores das canetas que fomentam minha criatividade, tudo é hora que passa, é invenção do eu, é uma série de exemplos para fazer o sentido existir. De novo! Exemplos atrás de exemplos. E já passa das oito. Hoje é domingo e estou sozinho em casa. Escolhi não sair para me preparar. Gosto de imaginar o depois, a semana, a vida. Preciso disso para ser o que sou. De imaginação. 

Tudo vai dar certo. Tudo é sempre tudo, não tem como dar errado. A metade só é metade quando se tem consciência da outra parte. Do contrário, seria o todo. O infinito. Mas esse consciência de incompletude... Ah, metades de mim. Como se eu quisesse me fragmentar, ser apenas uma parte do propósito. Não! Eu escolhi ser inteiro. E para isso, preciso de espaço. Este que se estende nas emoções, nas surpresas e nos reencontros do mesmo eu com os diferentes de mesma essência. 

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