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Mostrando postagens de novembro, 2018

Contrastes das Tardes de Verão

Pude me atentar mais ao canto das aves hoje, resultado da minha reflexão no parapeito da janela. Observei como elas se comunicam entre si, ora cantando em piados, ora chilreando uma com as outras; sempre emitindo um som que se rompe aos ecos na brisa gentil. Nem ousei em me perguntar o que será que tentam dizer, recolhendo-me na posição de contemplador desse espetáculo de sonância. E o dia ajudou: azul celeste no céu sem nuvens. Depois de um período acinzentado de chuva, as cores da natureza se realçaram, e, com elas, as melodias dos emplumados cantantes voláteis. Como sou privilegiado em ter uma visão da mata atlântica, ainda em sua originalidade, diretamente da minha janela. Todos os dias tento descobri algo novo; desde as tonalidades do verde, até as formas das folhas das árvores. Hoje, em especial, as aves reinaram. Talvez seja pela alegria de rever o sol. Estou escrevendo quase às 18:00h do horário de verão e elas ainda continuam no gorjeio memorável. A tarde parece não ter ...

Uma Chuva de Artigos Programados

Nunca pensei que fosse capaz de programar artigos para serem publicados depois de um tempo. Isso porque assim que eles vêm à mente, fazendo suas coreografias literárias, sinto a necessidade de expô-los o quanto antes. Porém, dessa vez, as coisas caminharam diferente e, durante os próximos três meses, consegui organizar uma coletânea de textos que serão publicados aos poucos. Intitulada de Lições do Chamado (LDC), a obra foi dividida em 22 partes com o intuito de serem publicados dois escritos por semana até o final de janeiro de 2019. Tal feito não exclui a possibilidade de eu escrever outras crônicas paralelas à série, que, em síntese, abordará uma experiência espiritual que se iniciou no ano de 2017. Poderei dividir a minha visão sobre o chamado de Deus com qualquer um que, por ventura, apresentar-se no Penasso Cronista, bem como minhas respostas perante às indagações recorrentes. Durante o período abordado, tracei um caminho de fé que gerou bons frutos. Não poderia guardar a exp...

A Migração dos Textos Desorientados

Desde quando passei a escrever regularmente as peripécias que iam e vinham no meu imaginário, precisei fazer algumas alterações no espaço onde as redigia. Tudo começou com o Penasso Poliglota, cujo propósito inicial era acompanhar meu desenvolvimento no estudo do italiano e francês que vinha me dedicando àquela época. Logo na primeira semana, iniciei um processo diário onde tentava relatar algo com o intuito de treinar minha capacidade de escrever, contudo o nome da plataforma só foi alterado para Penasso Cronista alguns meses após eu notar que os textos publicados não tinham nada a ver com o estudo de idiomas. Passei a escrever memórias, reflexões, contos, acontecimentos e tudo mais que se enraizava em meu raciocínio e tentava florescer em parágrafos curtos de um texto qualquer. Deu certo! As redações estavam em seu devido lugar, paralelas às resenhas do Pena Pensante, onde o conteúdo é mais formal e informativo. Mas havia algo que ainda estava sendo um empecilho para mim: todos os ...

As Nuvens Passageiras e a Estrela Solitária

Quando a noite chegou trazendo seu manto caliginoso e a brisa entrou pela janela renovando o ambiente, senti a necessidade de aquietar a mente. Eram pensamentos correndo de lá pra cá, trazendo ideias, reflexões, perguntas, respostas e sentidos para um complexo fluxo de raciocínio. "Vamos lá, mente; vamos nos acalmar e elevar os pensamentos ao céu", pensei. Sempre era interrompido por reminiscências. A fantasia ganhava asas e voava alegremente, ultrapassando os limites da criatividade. "Meu Deus, quantos devaneios!". Ainda que o ambiente me favorecesse, precisei de alguns minutos para chegar no estado de atenção desejado. Abri as janelas da sala, olhei para o céu e vi uma estrela solitária. Julguei o espetáculo digno de uma oração. Apanhei meu rosário e sentei-me onde a vista dava à noite altiva e pacífica, tal como a senhora dos romances de outrora. Sexta-fera; dia em que se contempla os mistérios dolorosos. "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Prof...

Mais Dois Dedos de Prosa com Sr. Bill

Com quase dois anos de idade, Sr. Bill resolveu se aposentar do cargo de inspetor de qualidade das análises literárias feitas no Pena Pensante. Contudo, o mesmo não perdeu sua veia artística canina. "Lembro-me da fábula do leão e as pinturas que havia me contado há algum tempo", falei. "Teria outra que gostaria de compartilhar comigo?" Sentei-me ao seu lado e o esperei se aproximar. Enfim, comentou que em um de seus devaneios por entre as linhas de exemplares empoeirados, um corvo estava pousado em uma árvore, com um queijo no bico. Atraído pelo cheiro, a raposa aproximou-se e disse-lhe em tom lisonjeiro: "Bom dia, meu caro senhor corvo! Como o senhor é belo! Como são lindas suas penas, e que brilho têm! Se tiver a voz maviosa na proporção da grande beleza da plumagem, sem dúvida será a fênix destas florestas!" O corvo, ao ouvir a lisonja, não coube em si de tanta vaidade. E, para mostrar a magnífica voz que então julgou possuir, abriu o bico e...