As Nuvens Passageiras e a Estrela Solitária
Quando a noite chegou trazendo seu manto caliginoso e a brisa entrou pela janela renovando o ambiente, senti a necessidade de aquietar a mente. Eram pensamentos correndo de lá pra cá, trazendo ideias, reflexões, perguntas, respostas e sentidos para um complexo fluxo de raciocínio. "Vamos lá, mente; vamos nos acalmar e elevar os pensamentos ao céu", pensei. Sempre era interrompido por reminiscências. A fantasia ganhava asas e voava alegremente, ultrapassando os limites da criatividade. "Meu Deus, quantos devaneios!". Ainda que o ambiente me favorecesse, precisei de alguns minutos para chegar no estado de atenção desejado.
Abri as janelas da sala, olhei para o céu e vi uma estrela solitária. Julguei o espetáculo digno de uma oração. Apanhei meu rosário e sentei-me onde a vista dava à noite altiva e pacífica, tal como a senhora dos romances de outrora. Sexta-fera; dia em que se contempla os mistérios dolorosos. "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Professemos a nossa fé: Creio em Deus Pai...", um burburinho enfadonho começa paralelo à minha oração. Gargalhadas estridentes invadem o ambiente destruindo a pacificidade da noite.
"Mas será possível?!", com as luzes apagadas olhei pela janela para compreender o que ocorria lá embaixo. Duas mulheres com seus respectivos cachorros conversavam sobre os cuidados especiais que tinham com cada um dos animais. Os cães começaram a latir, e quanto mais eles latiam, mais elas riam. "Calma, Filipe, a paciência é uma virtude!", refleti sentando-me no chão para ter uma visão panorâmica do céu. Uma nuvem passageira cobrira a estrela, que logo reapareceu.
Ignorando os ruídos, peguei o rosário novamente e reiniciei a oração. Um alarme de carro disparou. Então percebi a provação que sucedia. Passei a desejar cada vez mais e mais barulhos externos enquanto me aprofundava na contemplação dos mistérios. As nuvens cortavam o firmamento com morosidade; ora cobriam a estrela, ora revelavam-na. E assim pude perceber o que Deus queria me ensinar.
Muitas vezes ignoramos a providência por fatores externos, tais como distrações ilusórias ilustradas pelas nuvens que, vez ou outra, cobrem a estrela mais bonita da amplidão. Enfim, um cheiro forte de dama-da-noite sobrepôs-se aos ruídos que se tornaram irrelevantes. A natureza cooperava: as árvores me acompanhavam na oração, expressando sua cumplicidade ao movimento do vento. No final, pude exercitar a paciência e a concentração; não deixei passar as belezas da noite pela trivialidade, nem tampouco deixei de refletir sobre a manifestação divina que visa o aperfeiçoamento virtuoso daqueles que abrem sua mente para as possibilidades da evolução espiritual.
Abri as janelas da sala, olhei para o céu e vi uma estrela solitária. Julguei o espetáculo digno de uma oração. Apanhei meu rosário e sentei-me onde a vista dava à noite altiva e pacífica, tal como a senhora dos romances de outrora. Sexta-fera; dia em que se contempla os mistérios dolorosos. "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Professemos a nossa fé: Creio em Deus Pai...", um burburinho enfadonho começa paralelo à minha oração. Gargalhadas estridentes invadem o ambiente destruindo a pacificidade da noite.
"Mas será possível?!", com as luzes apagadas olhei pela janela para compreender o que ocorria lá embaixo. Duas mulheres com seus respectivos cachorros conversavam sobre os cuidados especiais que tinham com cada um dos animais. Os cães começaram a latir, e quanto mais eles latiam, mais elas riam. "Calma, Filipe, a paciência é uma virtude!", refleti sentando-me no chão para ter uma visão panorâmica do céu. Uma nuvem passageira cobrira a estrela, que logo reapareceu.
Ignorando os ruídos, peguei o rosário novamente e reiniciei a oração. Um alarme de carro disparou. Então percebi a provação que sucedia. Passei a desejar cada vez mais e mais barulhos externos enquanto me aprofundava na contemplação dos mistérios. As nuvens cortavam o firmamento com morosidade; ora cobriam a estrela, ora revelavam-na. E assim pude perceber o que Deus queria me ensinar.
Muitas vezes ignoramos a providência por fatores externos, tais como distrações ilusórias ilustradas pelas nuvens que, vez ou outra, cobrem a estrela mais bonita da amplidão. Enfim, um cheiro forte de dama-da-noite sobrepôs-se aos ruídos que se tornaram irrelevantes. A natureza cooperava: as árvores me acompanhavam na oração, expressando sua cumplicidade ao movimento do vento. No final, pude exercitar a paciência e a concentração; não deixei passar as belezas da noite pela trivialidade, nem tampouco deixei de refletir sobre a manifestação divina que visa o aperfeiçoamento virtuoso daqueles que abrem sua mente para as possibilidades da evolução espiritual.
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