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Mostrando postagens de julho, 2020

A Luz e a Solidão

Esqueçam das palavras bonitas; das construções poéticas; das frases harmônicas. Nada disso será descrito hoje. Mas algo muito maior, que vai além das minhas habilidades com a escrita. Algo que não se compartilha numa roda descontraída de amigos, na mesa com a família, em tardes de verão — sagrado ao meu ver. Sim, foi o que eu disse. O que aconteceu cabe a mim. Foi para mim. Nada para ninguém — visando a abrangência do meu ser ao coletivo. Tudo para todos. Confuso? De fato, não escrevo para que tenham compreensão dos mistérios da vida. Escrevo para que saibam que eles existem. E acontecem a cada momento. Agora mesmo está acontecendo.  Não se desesperem; tudo será explicado. Não por mim. Eu apenas vivenciei. O que eu vi? Luz! Invadindo meu quarto e tocando meu espirito. Uma sensação de tranquilidade como ondas azuis quebrando em praias brancas; vento que passa entre folhas; vida que é vivida.  Tudo parece bobagem para vocês. Eu sei. Mas acreditem, existe mais. Algo inexplicável ...

Infinitas Cartas

Infinitas cartas para expor um sentimento inexpressável. Para quê? Nada aconteceu. Por muito busquei o sucesso em páginas arremessadas ao vento e me esqueci das noites estreladas que passavam lentamente por minha cabeça. Tais noites não voltam mais. As estrelas? Estas continuam brilhando em algum lugar; lugar este que não tenho acesso. Se perdeu na noite do tempo. Vivi tanto. E ao mesmo tempo não vivi. Esqueci de ser eu mesmo e me apeguei na aparência, nas conversas paralelas, no que os outros pensavam de mim, no agrado estraçalhado, no reconhecimento ilusório, na compaixão construída sobre a areia... Tudo se perdeu.  E como eu vivi. Eram cadernos e mais cadernos... Propósitos de uma vida fantasiada em virtudes. Àquela época não sabia que era impossível. Tentei ser o que não era. E não fui. Agora vejo o quanto isso me custou. Das noites solitárias, do tempo passando pelo espelho, de banhos demorados, de textos escritos sem ninguém para lê-los. Ah... Quanto tempo isso demorou. ...

O Organista

Molda-se em grandeza aquele que ao longo dos anos se vestiu de sublime encanto nas catedrais de pedra esculpida. Lá se destacava em proeminência o instrumento que invadia o íntimo dos aflitos colhedores de esperança em palavras de alento. Mas nenhuma palavra se comparava ao órgão que dominava o vento, transformando-o em notas musicais ecoadas em seus tubos de metal polido. Mágica transmutada em música. Era como se as virtudes cantassem junto às vozes do coro enlaçadas pelos dedos e pés do organista, regendo seus instintos triunfante. Sois tal o dominador da esfinge viva? Enigma aos olhares curiosos que buscam entender como dali pode sair tamanha harmonia. De fato, valeu à história dar-lhe o epiteto de rei dos instrumentos, pois soberano preserva a arte em seu emaranhado de caixas, canos, tubos, teclas, ripas e cordas. Obra escultural de onde o organista faz estremecer como uma tempestade as melodias da alma, refletidas pelo respeito, pelo tributo, pela emoção de sentar-se ali até que s...

Caí na Real

Passou à mente o fato da minha escrita ser impulsionada por uma força desconhecida; regida ao laço da ambição; estacionada à sombra da vaidade e emancipada pelo desejo do sucesso. Eu não sou esse que vos fala. Nunca fui. Não quero que o ofício se resuma à superficialidade do querer escrever por reconhecimento, mas que o mesmo se expanda à profundidade sentimental que esconde os monstros que alimento.  Percebi o erro. E quero reverter a situação.A escrita é o meu meio de acesso ao mundo da imaginação e nela encontro as asas da minha criatividade tímida com medo de se expor. Se ao menos a visse como uma filha querida. Mas não; não a vejo assim. Vejo-a como uma máquina de fazer e refazer algo metódico e burocrático. Chega dessa palhaçada. Rasguem as folhas. Abram as janelas. Renasci para a escrita.  Minha alma agradece pela coragem — sei que mudei. E quero mudar muito mais. Não existe ninguém que possa fazer esta mesma coragem crescer em mim a não ser eu mesmo. E cá estou eu. Esc...