O Organista

Molda-se em grandeza aquele que ao longo dos anos se vestiu de sublime encanto nas catedrais de pedra esculpida.

Lá se destacava em proeminência o instrumento que invadia o íntimo dos aflitos colhedores de esperança em palavras de alento.

Mas nenhuma palavra se comparava ao órgão que dominava o vento, transformando-o em notas musicais ecoadas em seus tubos de metal polido.

Mágica transmutada em música.

Era como se as virtudes cantassem junto às vozes do coro enlaçadas pelos dedos e pés do organista, regendo seus instintos triunfante.

Sois tal o dominador da esfinge viva?

Enigma aos olhares curiosos que buscam entender como dali pode sair tamanha harmonia.

De fato, valeu à história dar-lhe o epiteto de rei dos instrumentos, pois soberano preserva a arte em seu emaranhado de caixas, canos, tubos, teclas, ripas e cordas.

Obra escultural de onde o organista faz estremecer como uma tempestade as melodias da alma, refletidas pelo respeito, pelo tributo, pela emoção de sentar-se ali até que sua expressividade aconteça em música, encurralada pela euforia assustadora e comprometida com uma paixão ardente em violentos tremores melancólicos.

Sim, organista! No meio do som seu coração se faz em alegria, sua alma voa livre e sua vida tem sentido, pois domina o instrumento por excelência; encontrou-se na noite do tempo como um cavaleiro enfeitiçado pela quimera mitológica.

E o órgão segue imponente de índole sacra, quebrando as barreiras do tempo e repousando nas catedrais, até que surja de novo um desbravador disposto a desvendar seus mistérios.

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