Infinitas Cartas

Infinitas cartas para expor um sentimento inexpressável. Para quê? Nada aconteceu. Por muito busquei o sucesso em páginas arremessadas ao vento e me esqueci das noites estreladas que passavam lentamente por minha cabeça. Tais noites não voltam mais. As estrelas? Estas continuam brilhando em algum lugar; lugar este que não tenho acesso. Se perdeu na noite do tempo.

Vivi tanto. E ao mesmo tempo não vivi. Esqueci de ser eu mesmo e me apeguei na aparência, nas conversas paralelas, no que os outros pensavam de mim, no agrado estraçalhado, no reconhecimento ilusório, na compaixão construída sobre a areia... Tudo se perdeu. 

E como eu vivi. Eram cadernos e mais cadernos... Propósitos de uma vida fantasiada em virtudes. Àquela época não sabia que era impossível. Tentei ser o que não era. E não fui. Agora vejo o quanto isso me custou. Das noites solitárias, do tempo passando pelo espelho, de banhos demorados, de textos escritos sem ninguém para lê-los. Ah... Quanto tempo isso demorou. 

Mas acabou. Agora eu sei a verdade. Tenho me descoberto aos poucos. Reinventando-me para minha essência tão açoitada. Sim, foi necessário. A maturidade nasce pelas frestas mais apertadas do ser, tendo que, muitas vezes, avançar destemida por obstáculo sem ao menos saber se terá competência de superar. Mas nasceu, e cresce tímida... Mas cresce. 

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