Felicidade Embriagada
O projeto vai seguindo seu fluxo de forma bem sucedida. Eu estou numa canoa descendo um rio turbulento. Munido de coragem e persistência; tranquilidade e diligência, fazendo da água uma oportunidade de se chegar ao oceano. As pedras do rio estão sendo facilmente contornadas; a embarcação, leve como uma folha desprendida, corta o vento e se impõe nas curvas do curso travesso.
Agora eu me encontro no meio de uma batalha. Luto com as garras de um tigre solitário, caminheiro invernal, buscando forças para escrever o legado nos troncos de velhas árvores ressequidas com o passar o tempo. Estou cansado, porém persisto. Há muita coisa em jogo. As palavras já ganham outros significados e talvez a escrita tenha se dissipado na neblina de um amanhecer. Fui eu que abri a gaiola das aves. Nessa caminhada, existe o vazio contrastando a esperança. E se for para segurar em uma mão, que seja na dela.
Nado em lagoas evaporadas de tanto pensar. Aliás, voo. Voo por nébulas de caminhos espezinhados, sonhos acumulados e desejos secretos que nem mesmo as folhas conhecem. Por fim, visto-me de imaturidade, moldo padrões irracionais e tento avistar horizontes de sacadas ensolaradas sem, ao menos, ter sol. Alguns podem dizer se tratar da loucura dos poetas falidos. Mas eu vejo razão nas palavras quando escrevo-as com o coração. Há pouco comecei um novo texto, e fiz do mesmo coração um personagem acabrunhado. Por quê? A resposta se desenha nas entrelinhas de um dia qualquer, de cujas horas pude tirar apenas os risos forçados das caretas no espelho.
Felicidade embriagada. Galhos intrincados numa sequidão aparente para renascerem em verde nas tímidas manhãs de uma primavera volátil. Quantos predicativos! Facetas de uma vida banalizada na constância dos fatos. Chego ao fim desse texto pensando em mim: egoísta. Tive o mundo para escrever e escrevi apenas sobre alguém perdido nos pensamentos de um futuro incerto.
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