Uma História Sentimental
Estou compartilhando um sentimento. Não sei bem o quê. Esperança, talvez. Mas vai além. Abre espaço aos delírios da juventude indo de encontro ao futuro tão incerto que se quebra ao cair no chão. Dos cacos fiz um colar cintilante que reluzia à luz da manhã. Então pude sentir o sol nascer em mim. Pouco tempo depois as nuvens chegaram e tingiram o céu de tempestade; e lá estava eu pegando as gotas para compor uma canção de amor. Eu sou a esperança que semeio. E posso vê-la voar como uma ave recém-libertada. As grades pararam de fazer sentido.
Bom, nada mais posso ver em dois dias. O futuro resolveu descansar bem ali, a dois alvoreceres de distância. Eu bem que podia projetar os segredos que nem conheço mais, buscando respostas sobre o que virá. A semana vai acabar e eu vou renascer de um domingo ensolarado, mergulhar na segunda e me molhar em águas de sabedoria; depois vem terça, quarta, quinta... E assim a semana se encerra mais uma vez. Contudo, eu resistirei ao destino.
Peço a Deus que desenhe meus passos para que eu os contorne em cores de alegria. Plantei, acendi uma fogueira sob o céu estrelado e sujei meus joelhos de terra. Ali pedi uma graça; do fundo do meu coração ecoou uma súplica e pelo firmamento ela se estendeu. Por alguns instantes quis chorar mas não me permiti. Por que tamanha dureza comigo mesmo? Seria eu indigno de sentir os medos que o mundo proporciona? Não quis me desesperar, e se quebrei a esperança para fazê-la de joia, prendi o medo no calabouço da alma.
Contudo, a vida tem suas artimanhas. Tempos depois descobri que esse mesmo medo trancafiado também tinha asas e chorava na escuridão do inconsciente. Desci as escadas da alma com luzes nas mãos e encontrei-o em um canto frio e úmido. Ele tremia de desespero fazendo-me sentir pena. Estendi a mão para o medo e humildemente ele a pegou. Subimos para o pináculo das virtudes e lá o apresentei ao horizonte. Ele esticou as asas e alçou voo. Tão alegre voou que de seus olhos escorreram algumas lágrimas levadas até mim pelo vento.
O medo voou tão alto, mas tão alto que contrastou-se com os últimos raios de sol do horizonte. Depois disso eu nunca mais o vi. Vez ou outra fico sabendo que ele ainda voa por aí, enchendo os corações de desejos e molhando o mundo com lágrimas de entusiasmo. Daquelas que peguei, extraí outra joia para usar com o colar da esperança quebrada. Mas dessa vez invisível para alguns. Uma joia de cores reluzentes e estonteantes que ornamenta minhas palavras. Poucos conseguem vê-la. Dentre estes, aqueles que um dia também conseguiram libertar seus medos das entranhas da alma.
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