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Mostrando postagens de dezembro, 2021

Palavras Densas

Existe uma parte da minha vida que não foi vivida. Mas não vou me queixar sobre isso. Vou viver o que estiver para mim, no meu caminho, no compasso em que me encontro. O problema é que eu não consigo tirar esse aperto no peito. Agora exerço a contemplação, e na rodovia dos pensamentos encontro um ou outro para me trazer tranquilidade. Apenas um ou outro. Essa carreata tem me matado lentamente; meu coração não aguenta. Agora me deito e espero por um milagre na mente. Esta se tornou minha inimiga... Por ora!  Deixarei as palavras por aqui. Quero vê-las amadurecendo até cair do pé. E não é que caiu?! Rolaram rio abaixo, mas não chegarão ao mar. Ficarão presas nas pedras.  O mar é apenas para quem leva sutileza consigo, e minhas palavras não são sutis. São densas e logo se enterram nas profundezas onde a correnteza não exerce força alguma. Tentei ler alguma coisa, mas nada parou em minha mente. Pensei que alguma mensagem pudesse me fazer bem, mas... Não encontrei alguém que sentis...

Fragmento de um Reencontro

Um reencontro do artista com a arte. As palavras deixaram de reluzir, mas, diante de tamanha ofuscação, surge a mensagem limpa e direta. E ela diz o seguinte: não sei mais fazer uso das frases; perdi as metáforas e agora busco por respostas na realidade vazia de comparações. A fantasia não condecora mais os predicativos de minhas frases. Esta é a mensagem. Queria até contar uma história do pássaro que vivia apenas numa única árvore, sem nunca desbravar a floresta em todo seu esplendor. Mas hoje não tenho vocabulário para tamanha proeza. Sou apenas um ser humano desprovido de imaginação. Isso porque eu já estou no meu segundo parágrafo e não sei mais sobre o que discorrer. Acontece que as palavras ainda me fazem bem. Eu, ser ansioso das profundezas... Opa! Nada de fantasia. Quero despir-me e andar nu no campo das ideias... Ah, não. Por um instante eu me esqueci. As metáforas são proibidas.

Gosto De

Gosto dos livros;  das histórias;  das páginas amareladas;  dos objetos esquecidos; das coleções incompletas; do encanto de completá-las; da arte sentida; das cores na parede; das molduras trabalhadas; da paisagem estática e da dinâmica também. Gosto de uma conversa louca; de sentimentos florescendo; de músicas ecoadas em quartos pequenos; das formas desconhecidas e seus contornos vibrantes. Gosto da última poesia do exemplar; do que é desconhecido; do mistério a ser revelado; das tardes de verão jogadas aos cantos de pássaros felizes. Gosto da felicidade, embora nem sempre ela esteja presente; de estampar sorrisos em rostos obscuros; de ver o riso rolar e cair em precipícios. Gosto de ser chamado de doido, insano, estranho e insensato, Pois entendi que a raridade está na incoerência dos predicativos. Também gosto de ler contos jamais lidos e senti-los com o coração pulsante de amor; de plantar em jardins coloridos; de colher em pomares tão verdes Ao ponto da esperança fa...

O Beija-flor e a Tempestade

Hoje, pela manhã, quando abri a janela, lá estava ele.  O beija-flor. Circundando as flores a procura de uma que mais lhe agradasse. O pequeno animal ia e vinha, parava no ar, e me ignorava no parapeito. Para ele, eu não existia.  Apenas flores e mais flores, compondo a orquestra de cores do pequeno e sorrateiro jardim. Depois, a pequena ave voou e uma forte chuva começou a cair. A poesia da manhã havia acabado com a tempestade. Onde estaria o beija-flor em meio àquela borrasca? Foi então que me veio à mente o motivo que me levava a compor versos lúdicos em tons vibrantes: A ilusão de uma vida inexistente. Estava na hora de eu mudar.  Enxugar as palavras, tirar os afrescos barrocos, criar uma flecha e acertar o alvo. A tempestade chegou e o beija-flor se foi.  Toda pompa honrosa de cores já não fazia mais sentido sob o firmamento acinzentado. Minha poesia se encontrava no azulejo frio... Na luz fluorescente; Nos móveis de pó de serra; Na poeira acumulada; Na mediocri...

Combatente Interno

Diário de um combatente interno. Personagem criado em uma tarde qualquer, que diz o seguinte: — Estou mal. Uma sensação nunca antes vivida invade meu peito. Algo que estimula o instinto de ânsia.  Um certo nojo, talvez. Mas, não... Desgosto pode ser a palavra. Desilusão.  Hoje é um dia que deveria ser esquecido. Um dia de sentimentos ruins. De palavras vazias e mentes fechadas. De falta de sentido nas frases E de baixa frequência. Não queria que fosse assim, mas a felicidade se foi E se escondeu. Eu não tenho nenhum sinal dela. Parece que tudo o que construí caiu por terra. Não tinha uma base sólida.  Colapsou. Estou tremendamente preocupado com tudo.  A luz do sol não me alegra. Tampouco o azul do céu.  Sinto-me um lixo.  Alguém usado e descartado. Não tenho coisas bonitas para falar. Plantei e colhi... Não é assim que funciona? Não fui eu que corri atrás da tormenta? Pois bem.  Agora eu que aguente. Não tenho mais o brilho nos olhos E o coração pulsa...