Gosto De

Gosto dos livros; 
das histórias; 
das páginas amareladas; 
dos objetos esquecidos;
das coleções incompletas;
do encanto de completá-las;
da arte sentida;
das cores na parede;
das molduras trabalhadas;
da paisagem estática
e da dinâmica também.

Gosto de uma conversa louca;
de sentimentos florescendo;
de músicas ecoadas em quartos pequenos;
das formas desconhecidas
e seus contornos vibrantes.

Gosto da última poesia do exemplar;
do que é desconhecido;
do mistério a ser revelado;
das tardes de verão
jogadas aos cantos de pássaros felizes.

Gosto da felicidade,
embora nem sempre ela esteja presente;
de estampar sorrisos em rostos obscuros;
de ver o riso rolar e cair em precipícios.

Gosto de ser chamado de doido,
insano, estranho e insensato,
Pois entendi que a raridade
está na incoerência dos predicativos.

Também gosto de ler contos jamais lidos
e senti-los com o coração pulsante de amor;
de plantar em jardins coloridos;
de colher em pomares tão verdes
Ao ponto da esperança fazer-se de fruto
para ser apanhada por mãos calejadas
de tanto servir.

Gosto de tomar sol no outono,
de escutar o barulho da cachoeira;
de nadar contra a correnteza;
de acalmar-me em meio à multidão 
de espantar pensamentos avulsos
e de descobrir cada dia mais
um novo motivo para gostar de viver.

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