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Mostrando postagens de dezembro, 2023

Um Talvez e Uma Ave (OK)

O amanhã é sempre uma fonte de inesgotável "talvez". Mais à noite, caminharei por aí vendo as entrelinhas do céu quando puder e quiser. Por ora, fico por aqui, fazendo de mim um ocaso de ideias. Páginas não escritas. Outra hora, depois, adiante, vai-se sem rumo o rio do ser pensante que se envereda para outras histórias, de capas desconhecidas e cores estranhas, de traços fortes e vozes macias que dão direções. Direção de correnteza não se dá. Hora marcada é apenas um movimento de relógio. A gente erra por falar demais, ou por não dizer nada. Mas erra. E errando, vamos mergulhando vendo margens de tantas árvores e pedras jogadas que ficaram para sempre esquecidas nas beiras por onde o rio passa. Esperar que a água esbarre de tanto correr é tortura, mas também amor das pedras, das árvores e dos bichos que não voam. Apenas os pássaros podem ir ao encontro do rio, no centro de sua correnteza, na pedra esquecida, aquela que ficou para fora das águas, para provarem do majestoso mo...

Meia Hora Depois (OK)

Posso escrever o infinito até esta sensação sumir. Ou escrever a sensação, algo do tipo, até virar infinito e eu me afundar nestas noites tão iguais. Destrinchei o mar para não precisar navegar perdido por aí, revisitando pretéritos imperfeitos como ia, cria, escrevia. Ainda vou por aí, crendo no aconchego das chegadas, escrevendo as sensações do mundo e flutuando em mares pontilhados de luzes. Viver é verbo; bem como amar; bem como apreciar o presente e desembrulhá-lo para se ter a surpresa. Ler um livro é ler a vida, e virar páginas e sempre ter surpresas nas mãos. Ouço a voz das palavras que saem de mim, principalmente quando pegam o ar para si e inflam meu peito para saírem depressa, em uma única respiração.  De uma só vez, sem vírgulas ou pontos. Apenas palavras. Sem sentido. Porque o mundo o perdeu logo que deixou de viver o agora, dado como um embrulho deixado à porta de um qualquer que jamais esperou por uma surpresa que fosse. Pois eu esperei por tantas, em cada curva, cad...

Mistério de Dezembro (OK)

Foi-se mais um. É dezembro, de novo. Outro, mais claro que os jogados no fundo do baú. A caixa secreta foi aberta por diferentes personalidades e em diferentes cenários. O de agora, por exemplo, é calmo, simples, enferrujado, quase realizado, profundamente tentador, e outras tantas coisas iguais que se enveredam por aí. Dezembro é o desfecho de estar, de se entender como gente que se perde de tanto se encontrar; mês do meu aniversário, como outros aniversários já passados com abraços e "desabraços", com sonhos de outras vidas sonhado por outras pessoas. Eu, escrevendo cartas para ninguém, vivendo um personagem diferente a cada dia, depois de muitos e muitos anos, encontrei-me nas entrelinhas de uma história e refiz a narrativa. Trouxe-me o protagonista, sintetizando os fatos e revendo os anos já passados. Não podia fazer mais nada além de pontilhar vírgulas no lugar dos pontos. Continuei sonhando onde muitos pararam. Não me importei com os números que se enfureceram. O meu ca...

Abismo dos Gracejos (OK)

Essa vida é, de fato, um gracejo que se lançou ao precipício. Caiu sorrindo, rodopiando, expandindo-se nas reminiscências de uma queda que quis ser voo. Liberdade seria, então, ir além do chão? Pois para o gracejo não houve chão de se cair, mas nuvens, em formas distintas, construindo salões azuis para amanhecer de novo. Mais céu para nossos pés. E assim, o riso se propaga no infinito de muitos e muitos problemas solucionados. Viver é flutuar nas bordas, nas beiradas das estradas perdidas e reencontradas. Não é à toa que toda queda traz um frio na barriga, um sentimento de perda, uma questão sem resposta, uma pedra no sapato, uma nova perspectiva de cair. Graça mesmo é quando nos lançamos e não caímos. De tanto ver precipícios, a pétala voou, o orvalho despencou, a letra se curvou e mensagem foi passada e novamente rasgada. Jogada ao longe para também cair. Mas não caiu. O céu a acolheu na infinidade de mensagens lançadas que se perderam. São sonhos descontextualizados. Poetas que não ...