À Mercê

Já me sinto prisioneiro, de novo.
Olho ao redor: paredes do quarto.
Barulho lá fora, vida acontecendo.
Eu aqui, amando sem razão — ou com milhões.
Planos de uma vida ilusória — ou concretizada;
ainda que em sonhos
de lágrimas espelhadas
em pensamentos catastróficos.
Percebo estagnação,
relógio que não corre mais.
Vida que deixou de seguir o fluxo.
Quantos dias se passaram mesmo?
Poucos, se forem contados à risca.
Muitos, se olharem para mim.
Isso mesmo: olhem para mim.
Vejam como estou!
Vulnerável.
À mercê.
Nem pareço mais o que era antes.
O que poucos dias não fazem...
Vida que segue, e segue, e segue...
E eu?
Mais uma vez cercado pelas paredes.
Ventilador ligado; livros espalhados; música a tocar.
Espera constante.
Ansiedade alimentada.
Questionamentos surgindo:
fiz a escolha certa?
Era realmente eu quando agi pela emoção?
Não tenho culpa se nasci no final de dezembro.
Porém, de uma coisa estou certo:
aprendi.
E quero aprender mais.
Pois a vida não é apenas um quarto fechado.
Não é um momento, mas ciclos.
Que vem e vão,
terminam e recomeçam,
trazem alegrias e desencantos,
emoções e apatia.
Tudo se modificando lá fora...
Mas no momento estou aqui,
tecendo as teias das aranhas que matei,
trançando palavras como forma de entender o que sinto.
Justo eu, que sempre disse:
não é preciso entender, apenas sentir.
Cheguei na fase onde não entendo e não sinto.
Como proceder?
Deitar e dormir!
Ventilador circulando,
vida passando,
barulho lá fora,
e eu... sonhando.

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