Do Céu ao Papel
Pela janela do quarto eu vejo um céu azul; vejo folhas douradas pelo sol do verão que se aproxima. Os dias estão quentes. Nuvens raleiam o horizonte e aves voam circundando o vazio. Paro e ouço. Tudo está em harmonia! Hoje, por incrível que pareça, consegui controlar minha ansiedade; meu coração não disparou; minha boca não secou; meus olhos não se contraíram. Ainda bem.
Acho que descobri o segredo. Há algumas coisas que me fazem bem. E que são particularmente minhas. Pelo menos na interpretação da minha realidade. A primeira delas é contemplar a natureza. Como dias bonitos como este me trazem paz. Acalentam meu ser. Talvez eu seja capaz de perceber nuances da natureza que ninguém mais consiga. Cores e movimentos. Melodias, também. Algo como um espetáculo feito exclusivamente para mim. Existem momentos em que eu acredito que só por este estado de contemplação vale a pena viver. Por isso dou todo valor ao simples toque de uma folha. Para mim, tudo é mistério.
A segunda coisa que preciso relatar aqui é o ato de escrever. Já falei muito sobre isso. Em textos e mais textos. Antes era diferente, pois eu escrevia para aperfeiçoar a escrita. Me preocupava acima de tudo em obter uma escrita perfeita, isento de qualquer erro, longe de todas as imperfeições. Trabalho em vão. Sou um ser humano repleto de defeitos e jamais conseguiria tamanha diligência. Depois que descobri que o meu maior leitor sou eu mesmo, tudo mudou. O ânimo voltou, e eu segui escrevendo noites sem fim. Até o Pena Pensante voltou repaginado — mas isso é assunto para outra hora. A escrita me traz alegria. Um conforto inexplicável de saber que possuo um sentido para viver; algo mais parecido como um caminho estreito que vai se alargando à medida em que vou abrindo minha mente.
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