Venha o que Vier
Já iniciei vários textos e os apaguei. Era como se eles não me pertencessem.
Me via e não me via ao mesmo tempo. Loucura fantasiada de bloqueio criativo.
Aliás, não gosto deste termo. Ainda que eu não consiga me expressar.
Sou como a árvore na ventania. Só deixo cair as folhas que já secaram; pensamentos meditados; palavras somadas ao delírio; intervenção premeditada de reflexos... Como se eu me debruçasse às margens de um rio para me ver: ora a água estaria calma, ora estaria turva. Mas eu sempre veria alguma coisa.
As minhas palavras se esgotaram. Sinto que a fonte secou. Ainda hoje escrevi um belo texto sobre a cascata que tocara meu íntimo. Lembro-me de suas águas precipitadas em abundância pela grande pedreira. Um verdadeiro véu mágico que me cobria.
Onde está toda essa abundância agora? O deserto chegou cedo demais.
Alguma coisa roubou minhas energias. Os bocejos são incessantes.
Paro para meditar e adormeço. Alguém não quer que meus textos sejam escritos.
Mas digo-lhe, aventureiro das palavras, que eu perseverarei nas linhas orientadas.
Cansei de rumar sem norte. Sou um escritor. O melhor que consigo ser.
E isso ninguém vai tirar de mim.
Vou seguir minha vida escrevendo; venha o que vier. Este é o meu propósito.
Não serei um odre vazio. Possuo o segredo.
Ainda que meus olhos se encham de angústia e as cascatas da vez se façam em minha face, serei, para sempre, um escritor.
O dom da vida se ramificou para este viés. Nasci para escrever e escreverei até morrer.
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