Fantasmas de um Passado Assassinado

Encontro-me sozinho nesta tarde de sol. Há muito não via um dia tão bonito assim.
Um azul prateado revestindo o céu com seu esplendor; as aves cantando ao longe; um vento tímido entrando pela janela e me abraçando; as pessoas conversando na rua; o sol se expandindo no horizonte quase marcando o horário de se pôr. Talvez dure uns quarenta minutos mais, me prestigiando com sua presença.
Como eu amo este clima. Tenho a certeza de que se eu pudesse escolher um lugar para nascer, teria escolhido as Minas Gerais. Meu estado!
Essa natureza me fascina. Um encanto no tom esverdeado das montanhas ao longe. Que terça-feira agradável.
Poderia estar estudando para o concurso, mas resolvi vir aqui deixar marcado este momento.
Tudo bem, pode ser que eu tenha me precipitado mais cedo e que a ansiedade quase chegou arrombando as portas do meu coração. Mas me controlei. Não deixei ela entrar. Botei-a para correr como um ladrão.
Agora estou calmo. Tranquilo no fim da primavera. Essa ansiedade às vezes me tira do sério; me faz ser o que não sou; fantasia-me de alguém inseguro como se todos os julgamentos do mundo fossem voltados a mim. 
Falando em julgamento, talvez eu tenha que me desenvolver nesse quesito. Por que ainda tenho tanto medo do julgamento das pessoas? O que elas têm a ver com minha vida e a forma como a conduzo? Nada, definitivamente. Mas essa ansiedade se junta com os fantasmas de um passado assassinado, e me controla por alguns minutos. Minutos estes que se parecem horas, divagadas pelas cinzas de uma fogueira recém apagada. 
Atento-me ao dia; à natureza; às coisas boas que a vida sempre me deu. Não posso me queixar, de jeito nenhum. Tenho uma família que me ama; meus pais com saúde; um namorado fantástico; pessoas que querem o meu bem. Por que deixar a ansiedade fazer-se presente? A resposta eu não sei, mas...
Mas ela vem, com força. Guiada, quem sabe, pelo caminho de alguns traumas pretéritos; traumas da solidão, da falta de aceitação, da cobrança exacerbada, da vida trancada em quatro paredes; dos dias maravilhosos que não aproveitei. Tudo conta no fim.
Não tenho que me queixar desses empecilhos. Aceito-os como parte da minha história e tento dar a volta por cima. Sei que muito já caminhei, mas sei também que o caminho ainda é longo e minhas pernas doem. Sigo estudando. Aprendendo. 
Não quero ser uma janela fechada, tais como aquelas que fechei nos tempos de outrora. Quero caminhar livre e feliz. Ser, de verdade, quem eu sou; ter um propósito... E amar, enlouquecidamente, cada vez mais. 

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