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Mostrando postagens de outubro, 2021

Universo da Alma

É difícil para mim entender que existem outras estrelas.  Elas não são vistas, tampouco sentidas. Mas existem.  Maiores do que as que carrego dentro de mim. São constelações pontilhando o tecido fino, quase incerto, dos sonhos. Estes que vagam por aí, por noites e noites... Nada encontrando, senão estrelas. Perdidas, talvez. Ou expostas em pedestais, onde os astros circundam sem parar. O tecido se estende até eu perdê-lo de vista, mas não se rasga. Apenas estampa a fosforescência dos sonhos. As estrelas de que falo! Muitas e muitas por aí. Algumas solitárias, outras sufocadas. Elas existem, cada qual no seu devido lugar. E o brilho de uma não ofusca o da outra. Coexistem. E brincam no escuro. Uma não deixa a outra se apagar ou se perder de seu posto. Lá estão, no alto dos mais nobres pensamentos, No breu dos medos desconhecidos E nas encostas dos desejos mais profundos, Compondo a canção das estações E pintando um retrato da realidade vigente Como forma de traçar uma rota, Apo...

O Último Raio de Sol (OK)

Eu renasci em meio à tempestade De pingos em sonhos chorados por nuvens pesadas; Carga de desilusão na ventania E devaneios varridos pelos entardeceres esquecidos. Superei a perda.  Vela de chama fraca que se apagou Na noite de inverno que não se perpetuou  Pelo frio adentrando nas janelas abertas de minha alma. A primavera chegou a tempo de me resgatar E me levou para os jardins coloridos de um novo capítulo. Agora brinco com essas palavras luzentes, Tentando refletir sobre os desígnios emocionais  Que avassalam meu coração iludido  Pela tempestade que já passou.  Eu sobrevivi. É hora de aproveitar a paisagem à frente: Montanhas de brechas, Ensejos desirmanados, Contornando o pôr-do-sol Que se faz de objetivo a alcançar. Desço pelo vale até me agarrar no último raio, Corro pelas extremidades sem tropeçar, Carrego nas costas as noites em claro E mares que se secaram. Dessa vez é para dar certo. Enquanto isso, as primeiras estrelas surgem Simbolizando a esperança...

Uma Floresta de Sentimentos

 Algo me consome por dentro. E preciso controlá-lo com sabedoria dos magos da floresta. Raiva; irritabilidade; estresse; nervosismo; tudo tenta me avassalar e me colocar numa carruagem enegrecida rumo ao precipício. Mas eu não vou. Permanecerei na floresta dos meus alvoreceres. O controle das sensações é um mistério a ser descoberto pelos alquimistas do deserto. Já que vivem na aridez e nada possuem senão a areia escaldante, que sejam eles os responsáveis pelo peso da consciência. A floresta é bela. Cheia de cores e sons. Um sonho, talvez. Caminho entre as árvores e vejo as aves voando de galho em galho. No chão, uma relva tão verde que me faz querer cair e sonhar num sono profundo. Deito-me e encontro um tesouro: pensamentos preciosos de autoconhecimento. Falarei mais sobre isso depois, agora preciso refletir meu espectro no lago das emoções e beber de suas águas. Quando o sol se pôs, lá estava eu caminhando à luz das estrelas. As faustosas copas eram ornamentos do céu, celebrando...

Sonhos Esquecidos

Ontem eu sonhei com páginas amareladas e ressequidas pelo tempo. Não sei ao certo o que isso quer dizer. Talvez abranja vertentes do pensamento que acessei na noite anterior. Abri a consciência e por um curto período viajei pelas experiências interiorizadas da minha vivência. Quis encontrar respostas, mas não sei se as encontrei. Entendi algumas situações corriqueiras e as trouxe à luz da realidade. Mas as respostas... Permaneceram nas profundezas do meu oceano escuro. Pois bem. Quis mudar! Trouxe a noite para as palavras e as estrelas para os pensamentos. Do antigo Penasso Cronista, apenas lembranças. Agora carrego a caixa mágica de um escritor. Ora posso tirar dela uma obra-prima, ora um cortejo de trivialidades grosseiras chamando a atenção em vielas de devaneios. Tudo é deserto agora. Não há ninguém por aqui ou por ali. Palavras jogadas em precipícios que até hoje caem na esperança de encontrarem o solo para se espatifarem em mil pedaços. Sabem de um segredo? Eu escrevo para ningué...

Areias de uma Vida não Vivida

Angustiado. Mas por quê? Eu nada perdi. Lutei uma batalha, apenas. Sem resultado. Voou, rasgando o céu; estrela cadente voltando para casa. Pedido que se esconde nas entrelinhas de uma paixão. Vou ali, preciso terminar uma história. Depois volto para continuar escrevendo sobre o coração batendo em um peito apertado.  Na caixa secreta do escritor escondi um pedaço de mim. Chorei seco; um deserto. Era hora de dizer adeus mas eu me camuflei nas ruas de uma cidadezinha chamada distração. Agora ouço uma música para me acalmar. A solidão bate à porta, mas quem entra é a vontade de nada fazer. Procrastino à meia-noite. Mas ainda não são nem seis horas. Eu antecipo o relógio e sofro pelo tempo que virá. Este texto é um pedido de socorro. Retirei a capa de mim mesmo. E agora? Sou um copo vazio brincando de ser cachoeira.  Pedras! É isso que carrego comigo, e vou jogando-as pelo caminho. Marcando os passos de uma caminhada lenta e tediosa. O vento bate nas pedras, desvia. A chuva vem e ...

Texto Aleatório

Eu navego na noite escura, procurando a centelha de esperança naufragada. Não posso nunca parar de escrever; a vida continua e minhas palavras também. Há muito isso aqui se transformou em meu diário particular. Talvez eu devesse mudar o nome de Penasso Cronista para Diário de um Escritor Falido.  Mas por sorte meu orgulho me impede. Já estou cansado dessa ladainha de querer escrever sobre alguns assuntos os quais não domino. É uma sensação péssima. Mas como as canetas contornam as extremidades de um desenho torno, eu consigo contornar os nós de uma linha embolada para que se assemelhe a uma espiral. De ideias, talvez. Também estou cansado de falar e escrever "talvez". Talvez, e mais nada. Talvez eu tenha passado no concurso. Talvez eu escrava um livro. Talvez eu chore à noite. Talvez eu acorde ao meio-dia. Talvez a chuva cesse lá fora.  Talvez eu durma sob a meia-luz. Nada de certezas. O celular já não toca. Os e-mails não chegam. As páginas não viram. Mas a cabeça dói. Não p...