Sonhos Esquecidos
Ontem eu sonhei com páginas amareladas e ressequidas pelo tempo. Não sei ao certo o que isso quer dizer. Talvez abranja vertentes do pensamento que acessei na noite anterior. Abri a consciência e por um curto período viajei pelas experiências interiorizadas da minha vivência. Quis encontrar respostas, mas não sei se as encontrei. Entendi algumas situações corriqueiras e as trouxe à luz da realidade. Mas as respostas... Permaneceram nas profundezas do meu oceano escuro.
Pois bem. Quis mudar! Trouxe a noite para as palavras e as estrelas para os pensamentos. Do antigo Penasso Cronista, apenas lembranças. Agora carrego a caixa mágica de um escritor. Ora posso tirar dela uma obra-prima, ora um cortejo de trivialidades grosseiras chamando a atenção em vielas de devaneios.
Tudo é deserto agora. Não há ninguém por aqui ou por ali. Palavras jogadas em precipícios que até hoje caem na esperança de encontrarem o solo para se espatifarem em mil pedaços. Sabem de um segredo? Eu escrevo para ninguém. Para o vazio. Jogo cartas ao mar torcendo por respostas. Atlântida afundou, mas meus textos seguem na superfície, embora não sejam superficiais.
Mas tudo bem. São três e vinte da madrugada e preciso sonhar.
Agora são duas da tarde. Sonhei, sim. Mas perdi o sonho; cristal celeste criando uma supernova. Até agora não tenho as respostas que busquei. Mas me sinto leve. Como se tivesse deixado algum peso no caminho por onde caminhei durante anos e anos.
Se chorei, sequei-me ao vento intempestivo. Se sorri, plantei flores nos limiares da imaginação. Agora descanso. E perco as palavras como perdi as horas de um dia moroso; céu acinzentado pela ansiedade consumada; ouvido abafado pela razão da não-existência de doces melodias ecoadas. Quisera eu possuí-las. Há muito abri mão do querer tecendo as entrelinhas do inconsciente que se desacostumou com as vontades de sempre ter algo a mais.
Para mim, basta apenas o vento na folhagem. Histórias de uma vida esquecida, desapercebida, que rompeu a casca literária e navegou pelos mares mais profundos do sentimentalismo. São palavras, mais uma vez, fazendo roda em torno de mim. Elas cantam e dançam de mãos dadas. E a chave do entendimento da canção está com quem um dia já mergulhou nas águas geladas da desilusão para resgatá-la.
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