Uma Floresta de Sentimentos

 Algo me consome por dentro. E preciso controlá-lo com sabedoria dos magos da floresta.

Raiva; irritabilidade; estresse; nervosismo; tudo tenta me avassalar e me colocar numa carruagem enegrecida rumo ao precipício. Mas eu não vou. Permanecerei na floresta dos meus alvoreceres. O controle das sensações é um mistério a ser descoberto pelos alquimistas do deserto. Já que vivem na aridez e nada possuem senão a areia escaldante, que sejam eles os responsáveis pelo peso da consciência.

A floresta é bela. Cheia de cores e sons. Um sonho, talvez. Caminho entre as árvores e vejo as aves voando de galho em galho. No chão, uma relva tão verde que me faz querer cair e sonhar num sono profundo. Deito-me e encontro um tesouro: pensamentos preciosos de autoconhecimento. Falarei mais sobre isso depois, agora preciso refletir meu espectro no lago das emoções e beber de suas águas.

Quando o sol se pôs, lá estava eu caminhando à luz das estrelas. As faustosas copas eram ornamentos do céu, celebrando o verde esconso repousado no breu da noite. Caminhei tanto que cheguei às fronteiras da floresta; os limites da minha imaginação. Depois, o vazio. Nada além do que o silêncio. 

Voltei à mata e tentei decifrar sua linguagem. Sentei-me no chão e senti sua presença marcante dentro de mim. Uma bagunça, como se um vendaval tivesse passado arrancando as folhas e fazendo-as voar para longe. Quis chorar, mas não chorei. Já tinha chorado antes, e antes, e antes... Não adiantava mais escorrer o rio de lágrimas para desaguar no oceano das incertezas. 

Por isso, dormi. E, em um lapso curto de tempo, fui surpreendido pelo sol raiando em minhas entranhas. O verde ganhou vida novamente na floresta. E a esperança reinou soberana no campo das folhas arrancadas.

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