Saudade de um Jardim
Ah, jardim! Que saudade de você. Como pôde mudar minha vida tão profundamente com mudas tão comuns? Lembro-me da promessa de um dia te eternizar nas veredas dos sonhos que tracei, sentindo teu gramado sob meus pés já tão cansados de caminhar. Talvez tenha sido o clima; talvez o momento; talvez os sinos ao longe; as cores dos muros floridos; as folhas das palmeiras por despencar; o assoalho rangendo com passos graves; vozes dispersas; uma praça vazia; galhos tremulando e folhas se libertando em seu devido tempo. De tudo, acredito ter sido a fonte de água corrente. Correu para mim como nunca havia corrido para alguém, o cristal líquido escorrido entre os dedos , gelando-me a alma acostumada com o calor de histórias bem contadas. As palavras se dissolveram como o sal se dissolve na água. Tua fonte ficou com todos os poemas para si. Sem reclamar, segui adiante, observando os filetes d'água a me acompanhar pelo caminho. Declamavam versos que eram meus. Tão meus que se revoltaram e parti...