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Mostrando postagens de 2024

Flores Livres (OK)

Foram-se os sons da noite Retumbando os mistérios de viver. Para além do horizonte, Luzes de morrer. As notícias chegam por todos os lados. Rio de sonhos inundado Por sangue derramado Dos que acordaram na escuridão. Nós não acordamos àquela hora. Fizemos barulho enquanto eles se calaram. Tiramos fotos e estampamos as capas dos jornais. Ninguém quis saber o que houve. Mas lá estava, no chão batido, No tempo passado da noite esquecida, A lágrima desprendida Que fez brotar a mais simples de todas as flores. Ainda assim, era uma flor. Trouxe paz em meio à guerra. Amanheceu a madrugada Rasgando o breu bombardeado Para contemplar a solidão de nascer bela frente ao desespero. Jamais soube que outras flores formavam jardins. Foi-se embora no mesmo dia Ouvindo vozes exaltadas. Perdeu a chance de sentir na alma Uma canção que fosse, Porque, para ela, o som era batalha. Jamais entenderemos a sensação De nascer aquém do horizonte Onde existir já é resistência. Ninguém sequer mensurou o privilégio ...

Luzes de Estrelas Perdidas (OK)

Voltei-me às entranhas, revestindo-me de fragmentos, virando-me às avessas para recomer de um ponto qualquer. Existe um sentimento incompreendido por aqui. Veio pela manhã se instaurar nas raízes da minha horta, estendeu-se pelas horas da tarde, cantou uma música à noite e se recusa a dormir enquanto todos permanecem em silêncio. Eu nunca entendo nada dessas palavras. Vou apenas escrevendo faltas, preenchendo vazios impreenchíveis, arrancando os pedaços esquecidos de um sentimento partido. Complexo demais para um ser que se diz humano. Esses textos me cansam. Quisera eu ser a simplicidade do amanhecer quando o via de longe, no alta da campina de minha infância. Nos dias em que havia avós para pedir a bênção diária. Por que fico estúpido perto da aleatoriedade? Vou me refazer com essas intervenções interpretativas para ler mais histórias. A luz está fraca por agora. Assim como eu também estou. Mas, ao me deitar, terei os sonhos infinitos de um jovem rapaz que já quis levar o mundo em su...

Ponteiros e Reticências (OK)

 A hora não chegou. O tempo passou e a vela se apagou por ser pequena. Eu não sei escrever poesia. Nunca mais escrevi, desde tantos e outros contextos. Preciso de uma armadura que desconheço. Ninguém me ensinou as artimanhas. Todos andam pelas ruas bem sabidos enquanto eu sigo perdido catando os andrajos dos caminhos. Panos de bandeiras perdidas. Já não existe reino nas hastes. É rio, é caminho, é passagem de passar, hora de se esperar. E esperando, vivemos. Não sei o que escrever. Perdi as palavras. Elas se quebraram quando caíram feito lágrimas. Vou me esquecer deste texto em poucos instantes. Depois voltarei para finalizá-lo quando encontrar os fins que um dia justificaram os meios. Cansei-me das justificativas. Ninguém precisa explicar os porquês. Vai, hora! Passa logo. Quero parar mas não consigo. Sou parte do momento que se eterniza em instantes de para sempre. Para sempre, viveremos. A música continua e eu me perco nos vazios.  O que tem dentro de mim? Os pensamentos fo...

Paisagem de Conchas (OK)

Quando nos encontraremos de novo? Quero rever as histórias daquelas páginas jogadas, desenhar as linhas do tapete, abrir as cortinas, ouvir as mesmas músicas e amanhecer por aí, assim, neste céu que invadiu as ideias para ter voz, cantou palavras e se foi nos infinitos versos.  Nome para quê? Que noite é essa que nos apresentou dos fantasmas? Corri nos trilhos do trem, tentando ser mais rápido que a locomotiva, simplesmente para dizer: estou fazendo algo de bom. Para quem, eu não sei. O trem virou a curva, eu escapei pela tangente, compus outro cenário, afastei-me dos trilhos e, então, tive de abrir meu próprio caminho. Se desejei um destino, ele se perdeu. Mas o esforço não foi em vão. Vi a selvageria das amarras nos espaços esquecidos e aprendi a perdoar.  Nesta goteira de sílabas pingadas, escrevi a epopeia das lágrimas até encher o mar. Voltei-me ao oceano com medo das ondas. Todo texto é tão igual. Toda pergunta tem sempre a mesma resposta. E o que eu posso fazer? Content...

Reinterpretação de Copos (OK)

Vida nova, não é? Feita de reencontros, mais uma vez. Peça perdida do jogo, inconsistência da viagem que se prologou por mais tempo. E aqui vamos colorindo os jardins, delineando os horizontes, abrindo as janelas da alma, repondo os interstícios, esfarelando as reminiscências, brincando de vírgulas, sendo criança na armadura do tempo. É hora de voltar às manhãs na varanda, com rede de descansar, sombra dos pilares, verde de esperança esperada por tantas flores replantadas. Olhei a rua, vi carros e carroças, um caixa de lápis espalhada no chão e papéis, muitos papéis. Voltei à cidade das luzes, senti-me pertencente, mas com vontade de chorar pelo tempo que se tornou sujeito e caminhou sozinho na outra calçada. Cadê os outros tempos? Por que justo aquele seguiu outras pegadas? É o avesso de uma história intrincada em pequenas ofertas de muitas viagens. Agora, justo agora, eu trabalho por aqui, palavreando os sertões até virarem mares de poesia. Porque poesia mesmo é uma hora vaga entre d...