Ponteiros e Reticências (OK)

 A hora não chegou. O tempo passou e a vela se apagou por ser pequena. Eu não sei escrever poesia. Nunca mais escrevi, desde tantos e outros contextos. Preciso de uma armadura que desconheço. Ninguém me ensinou as artimanhas. Todos andam pelas ruas bem sabidos enquanto eu sigo perdido catando os andrajos dos caminhos. Panos de bandeiras perdidas. Já não existe reino nas hastes. É rio, é caminho, é passagem de passar, hora de se esperar. E esperando, vivemos.

Não sei o que escrever. Perdi as palavras. Elas se quebraram quando caíram feito lágrimas. Vou me esquecer deste texto em poucos instantes. Depois voltarei para finalizá-lo quando encontrar os fins que um dia justificaram os meios. Cansei-me das justificativas. Ninguém precisa explicar os porquês. Vai, hora! Passa logo. Quero parar mas não consigo. Sou parte do momento que se eterniza em instantes de para sempre. Para sempre, viveremos. A música continua e eu me perco nos vazios. 

O que tem dentro de mim? Os pensamentos foram para as nuvens, mas algo permanece pesado. Quero comer um pão, tomar um café, fazer algo por mim. Esticar os braços, as costas, as pernas, fingir que sou maior para não escarar a pequenez que me abraça. Muito embora eu a ame. Pequenez. Continuo por aí, marcando pegadas em pedras que não se marcam. Uma concordância duvidosa de verbos que não foram bem colocados. Muitos sentimentos fizeram este papel. Verbos mal-empregados. Tudo formando parágrafos minguados de coisas abstratas e avulsas, criando raízes nos desejos que se recusaram a seguir adiante. 

Estas palavras estão revelando verdades escondidas. Já não sei lidar com elas. Quero seguir, mas sou uma parte dos desejos que ficaram. O fim, um perigo. Lidar com sentimentos é sempre perigoso. É o máximo de aventura que eu posso viver. Palavreando cascatas e descendo pelas corredeiras. Aqui é um ponto perdido. Mas a vida é reticências. 

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