Um pedaço do infinito que se partiu
Querer o fim da chuva. O sol depois das seis. Os dias mais quentes. O coração aconchegado nos fins de tardes existenciais. A lua virou-se para a estrada, deixou a noite como espetáculo. O palco montado, pessoas chegando, o jeito de ser, vozes entrelaçadas pelas redondezas da imaginação; eram passos e mais passos, enchendo o teatro. Queriam ver a tragédia. Queriam ver o outro sofrer, o outro cair, o outro se corromper... Mas não viram. Olharam-se no espelho. Eram máscaras de vaidades. As terceiras pessoas. De cujas vírgulas roubei. Na verdade, roubei tudo. As vírgulas e as pessoas. Juntei tudo no baú das lembranças, até se formarem aos moldes de memórias vazias. O que fiz ontem? Por onde andei? Com quem estive? Por que me esquivei? Levaram-me pelos idos horizontes, pelas curvas de todas as dúvidas. Duvidei de mim mesmo, do meu jeito, da minha aparência, da minha voz, do meu estilo, da minha capacidade, do meu existir. Duvidei que fosse gente, que fosse capaz. Duvidei que um dia não...