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Mostrando postagens de março, 2018

Entre Tantas Vozes

Confesso que não pretendia escrever nada durante a Semana Santa, pois queria fazer desse momento uma fonte de introspecção e oração; só acabei cedendo à vontade de formular poucos parágrafos porque vi que poderiam ser úteis em caso de uma provável releitura dentro de alguns anos. Pois é! Às vezes temos de abrir a mente para futuras interpretações, sem descartarmos a importância de se viver um dia de cada vez. Digo isso pois me vejo intrincado em um garimpo de informações do qual preciso selecionar os aspectos virtuosos e descartar os que não agregam valores em minha vida. Ilustrando com um exemplo, cito a famosa frase de que "o trabalho lapida o caráter do homem", e concordo plenamente com ela. Só que assim como a pedra quando lapidada precisa de todo cuidado, devemos nos atentar às nossas limitações para não sofrermos com a broca da vida. Do contrário, ao invés de realçarmos o precioso brilho da gema, a destruiremos por uma ganância exacerbada de se buscar formas polidas ond...

50 Matizes de uma Vida Costumeira

Lembro-me, até hoje, das fábulas de La Fontaine que li na infância. Que espetáculo os animais compunham em meus pensamentos vagantes e despreocupados; uma verdadeira obra-prima ilustrada no imaginário de uma criança cercada por adultos. Foram páginas ásperas de antigas obras que exalaram o cheiro plangente do rigoroso tempo na estante destituída de leitores. Apenas eu era capaz de sentir aquela emanação clemente que vinha ao meu encontro, fazendo-me um senda de folhas cortantes que apuravam as ideias aos poucos. Anos depois descobri que muitos daqueles contos foram adaptados da obra de Esopo no século VII a.C. Durante todo esse tempo, os desfechos éticos mantiveram sua essência ornando os protagonistas com virtudes na pele de animais possuidores da razão. Hoje é fácil darmos definição ao âmago fabulístico, mas se pararmos para pensar que naquela época tais conceitos não eram concretizados e precisos como são nos dias atuais, percebemos o poder da literatura em perpetuar-se nas páginas ...

Sigo com a Meta Tolkien

Quando optei por passar um tempo longe dos textos diários, mantive em mente minha meta de leitura das obras de J. R. R. Tolkien para o ano de 2018. Ainda que seja de forma lenta, tenho conseguido concluir os capítulos e sentir tudo aquilo que o autor nos disponibiliza em sua literatura fantástica. Falando no âmbito internacional, posso afirmar que Tolkien é o meu escritor preferido por ter conseguido criar não só uma história, mas um autêntico universo, extremamente detalhado, que nos permite ultrapassar as berreiras da racionalidade e adentrar em um mundo imaginário, contornando nossos pensamentos de magia. O que exponho aqui, de fato, já foi ecoado aos quatro cantos por milhões de leitores: não dá para comparar dois meios midiáticos distintos no quesito de qualidade. Digo, buscar relação qualitativa entre filme e livro. Os dois são bons dentro daquilo que oferecem, porém, devemos estar conscientes de que Tolkien foi um escritor e não um diretor de cinema. Eu, por mais que tivesse ass...

A Entrega que Jamais Chegou

Em uma de minhas parcerias, solicitei dois livros históricos: um falava dos italianos, enquanto o outro, dos portugueses. "Chegarão ao seu endereço em menos de dez dias úteis", afirmou a responsável por encaminhar as obras. Mal podia esperar, já que ambas faziam parte de uma coleção bem atrativa que estava sendo lançada. E lá se vão os dez dias sem nenhum sinal dos correios. "Essas coisas costumam atrasar mesmo!", assim não ousei incomodar a moça durante um tempo. Foram necessários vinte dias para eu tomar a iniciativa de escrever à editora. Em meu e-mail disse que até então os exemplares não haviam chegado e por conseguinte não liberaria as análises a tempo. "Bom dia, Filipe. Infelizmente ocorreu um erro em nosso estoque e o pacote foi encaminhado sem o número do seu apartamento. Agora ele está retornando para São Paulo e somente quando chegar, poderei reencaminhá-lo ao endereço correto". Coisas da vida! "Ficarei no aguardo! De qualquer forma, muito ...

Um Outono Mais Poético

Há algumas semanas, havia mencionado sobre minha coleção incompleta das obras escolhidas do ilustre escritor Humberto de Campos. Tratava-se de uma coletânea publicada pela Opus Editora no início da década de 1980 com dez volumes. Sabia que minha busca pelo primeiro exemplar era massante e infrutífera, somando-se anos de resistência a este propósito. Imaginem só, como era embaraçoso olhar para meu acervo pessoal e notar uma falha na célebre edição azul celeste que adornava um lugar significativo do meu campo de visão. Lá estava o espaço vazio: Poesias Completas! Ora, que ironia quando se pensa dessa forma. No caso, seriam incompletas, faltando apenas o primeiro volume que, devido à severidade do tempo, se desvinculara de seus companheiros de estante. E assim o tempo foi passando, fazendo-me acostumar com o desguarnecimento poético que aquela quebra de estruturação provocava. Teria de começar a leitura logo por suas memórias? Calamitoso! Mas era o jeito... Foi então que pensei: "Far...

Sintetizando as Metas: Italiano Permanece!

Voltando à normalidade das metas traçadas para o ano, percebo que já estamos quase no fim de março. O tempo realmente não para àqueles que têm objetivos a se concretizarem. Mas ainda estou em vantagem! Ontem mesmo retomei os estudos da língua italiana, cujo progresso vinha compartilhando desde o início. Preciso recuperar este fator que faz jus ao nome do site: Penasso Poliglota. Ora, imaginem que constrangimento seria caso alguém perguntasse quais idiomas fazem de mim um poliglota. Inglês? Ser bilíngue não é o suficiente! Mas vamos com calma: apesar do tempo acirrado com uma agenda repleta de compromissos, decidi me dedicar somente ao italiano e, por ora, deixar o francês de lado. Enxergando o processo de aprendizagem como uma transferência de dados, quanto mais informações eu tentar absorver, mais tempo meu cérebro levará para organizar e armazenar o conteúdo. Desse modo, como não tenho o relógio como um aliado, preciso focar naquilo que terá maior importância para o meu desenvolvimen...

Os Capitéis da Trivialidade

Lembro-me de ter escrito um texto por dia durante o mês de janeiro. Tracei esta meta e pude alcançá-la com êxito logo no início do ano; contudo, após o termino dos primeiros trinta dias dedicados à Coluna Diária, as coisas desandaram por aqui. Pelo fato de não ver mais o ofício como uma incumbência, deixei a corda da inspiração se arrebentar e se perder entre as idas e vindas dos compromissos corriqueiros. Que lástima! Posso dizer que eu mesmo era o leitor mais fiel daquilo que escrevia, já que a mente não consegue guardar tudo que relatamos em palavras, sendo uma fonte notável de entretenimento as horas depositadas à leitura daquilo que transformamos em textos corridos. O fato descrito aqui não diz respeito ao tamanho dos artigos e crônicas publicadas, nem tampouco de sua qualidade, mas sim da eficácia e compromisso ao escrever algo diário com o intuito de apurar os pensamentos para melhor uso das expressões, seja num contexto lido e falado ou, até mesmo, na competência de verbalizar ...

A Escrita que Vai Além das Páginas

Foi lá pelas bandas da Zona da Mata Mineira que um rapaz, instantes após revisar seu primeiro livro, saiu para imprimir e encadernar uma cópia do trabalho que, até então, se encontrava apenas em seu computador. Estava contente com este feito memorável que marcara uma longa caminhada: finalmente ia dar vida à sua obra. Dia claro, clima agradável. Fiéis se reuniam na gruta de Nossa Senhora Aparecida para rezar o terço. Resolveu parar ali para, talvez, acompanhar uma Ave Maria. Nesse momento, alguém segurou em seu ombro e lhe disse: "A catedral está fechada, será que não vai ter confissão hoje?". Era uma senhorinha já pelos setenta anos, de roupas humildes, cujo tempo desempenhara com rigor o papel atribuído. O rapaz olhou seu semblante cansado e compartilhou um singelo sorriso. "Talvez na Igreja de São Sebastião você encontre um padre para te atender", respondeu. Imediatamente a senhorinha se entristeceu e abaixou a cabeça. O moço percebendo que ela não sabia chegar à...

Seria isto uma crônica?

Pensei que poderia escrever algo hoje, mas me enganei. Queria falar sobre os exercícios de memória que um site havia me ensinado. Segundo ele, poderia fazer uma série de coisas diárias para melhorar minha capacidade de lembrar das coisas. "Que maravilha!", logo pensei. Mas a prática foi tão insignificante que acabei me esquecendo do assunto. Tudo bem, às vezes este recôndito processo tenha validade para alguns afortunados. Além do mais, estou com um livro sobre o tema para resenhar, só que nem comecei sua leitura. O fato é que nos lembramos daquilo que gostamos ou que temos algum interesse pessoal para darmos seguimento aos planos. Digo isso pois tenho me lembrado apenas de uma coisa ultimamente, cujo nome é tido como artigo científico. Sobre este aspecto, acredito que mesmo o mais célebre dos escritores teria uma dose de apoquentação para enfrentar. Apoquentação? Pois é: chatura, cacetada, importunação, desgosto... Não basta saber verbalizar o ponto de vista, tem que provar ...

A Volta dos Textos Desorientados

Devo abrir espaço a uma confissão: perdi minha motivação durante alguns dias para prosseguir com o Penasso Poliglota. A partir daí, comecei a me questionar sobre a necessidade da plataforma perante aos encargos que venho desempenhando. Refleti durante um tempo e acabei encontrando, mais uma vez, a mesma motivação sucumbida nos abismos do meu raciocínio. Acontece que ultimamente as coisas estão bem acirradas no que diz respeito às minhas obrigações. O último semestre de Relações Internacionais trouxe-me um ofício extra: a elaboração do meu artigo científico. Desse modo, todo tempo livre que tenho à prática da escrita, acabo depositando neste bendito e exaustivo trabalho, cujo tema enlaça o itinerário de um caminho sustentável para o futuro por meio das fontes renováveis de energia e os benefícios que elas proporcionam à economia, ao comércio, à diplomacia, enfim... Não estou tendo muito tempo! Apesar dos pesares, pretendo voltar a escrever os textos responsáveis por explorar minha capac...