A Rua Onde Cresci
Revendo algumas fotos antigas, pude perceber o quanto eu tive uma infância privilegiada. Recordei-me da escola e das festas juninas que participava. Em uma delas, até vó Zulmira estava presente para me ver dançar a quadrilha. Devia ter uns seis anos; os quais compunham toda minha existência estendida em brincadeiras, desenhos animados, bolinhos de chuva, minha coleção invejável de animais de plástico, o contato com a natureza e a liberdade que só as crianças que crescem no interior possuem. Até as árvores da rua onde morava ganharam formas especiais em minha memória. Hoje elas não mais existem; o lugar está mudado e as crianças que brincam na mesma calçada onde brinquei não sabem como era há vinte anos. Não viram o banco de madeira; a velha casa assombrada; o lado arborizado da via; os carrinhos de picolé que passavam aos domingos; a laranjeira no quintal da vizinha; o pé de acerola que invadia a passagem; o aterro das galinhas; o silêncio perdido nas tardes de verão... A rua se transf...