A Rua Onde Cresci
Revendo algumas fotos antigas, pude perceber o quanto eu tive uma infância privilegiada. Recordei-me da escola e das festas juninas que participava. Em uma delas, até vó Zulmira estava presente para me ver dançar a quadrilha. Devia ter uns seis anos; os quais compunham toda minha existência estendida em brincadeiras, desenhos animados, bolinhos de chuva, minha coleção invejável de animais de plástico, o contato com a natureza e a liberdade que só as crianças que crescem no interior possuem.
Até as árvores da rua onde morava ganharam formas especiais em minha memória. Hoje elas não mais existem; o lugar está mudado e as crianças que brincam na mesma calçada onde brinquei não sabem como era há vinte anos. Não viram o banco de madeira; a velha casa assombrada; o lado arborizado da via; os carrinhos de picolé que passavam aos domingos; a laranjeira no quintal da vizinha; o pé de acerola que invadia a passagem; o aterro das galinhas; o silêncio perdido nas tardes de verão...
A rua se transformara numa grande avenida que ainda mantém seus paralelepípedos. A maior parte das casas foi demolida, dando espaço aos novos apartamentos. As crianças não trocam mais os tazos que vinham nos salgadinhos, pois estes também não existem mais. Na época ninguém sabia o que era celular entre nós; a primeira vez que vi um foi em uma ida a São Paulo, quando tinha sete anos. Pensei que fosse um mini-game, daqueles que continham uma infinidade de jogos entediantes e que faziam um ruído ensurdecedor ao serem ligados
Nos períodos de chuva, saía de casa com uma garrafa para recolher as tanajuras que caíam. Depois soltava todas em algum dos quintais disponíveis. Aqueles que encontravam um besouro, ganhavam a competição. Enfim, tempos que correram fustigados pelos seres humanos apressados a envelhecerem. Se me perguntassem àquela época sobre os dias de hoje, responderia que os mesmos estavam tão distantes que minha imaginação era incapaz de elucidá-los
Tem um bom tempo que não volto à rua descrita, mas ela sempre vem a mim em reminiscências. Assim como tal, também tive novas construções que preencheram minha mente de pensamentos e ideias. Já não porto mais a simplicidade infantil descontraída e o semblante de criança que corria nos domingos sabáticos.
É interessante pararmos para pensar nisto: mesmo hoje estando distante fisicamente, o ambiente se concretiza em mim, pois, assim como a rua se transformara em avenida, eu também me transformei com o tempo. No entanto, o início da jornada que nos é atribuída sempre será o mesmo. Se voltar hoje pelas calçadas onde brinquei, verei a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário marcando seu início. Se levar a memória aos primórdios de meus raciocínios, também encontrarei as bases que assinaram a gênese de minha caminhada.
Até as árvores da rua onde morava ganharam formas especiais em minha memória. Hoje elas não mais existem; o lugar está mudado e as crianças que brincam na mesma calçada onde brinquei não sabem como era há vinte anos. Não viram o banco de madeira; a velha casa assombrada; o lado arborizado da via; os carrinhos de picolé que passavam aos domingos; a laranjeira no quintal da vizinha; o pé de acerola que invadia a passagem; o aterro das galinhas; o silêncio perdido nas tardes de verão...
A rua se transformara numa grande avenida que ainda mantém seus paralelepípedos. A maior parte das casas foi demolida, dando espaço aos novos apartamentos. As crianças não trocam mais os tazos que vinham nos salgadinhos, pois estes também não existem mais. Na época ninguém sabia o que era celular entre nós; a primeira vez que vi um foi em uma ida a São Paulo, quando tinha sete anos. Pensei que fosse um mini-game, daqueles que continham uma infinidade de jogos entediantes e que faziam um ruído ensurdecedor ao serem ligados
Nos períodos de chuva, saía de casa com uma garrafa para recolher as tanajuras que caíam. Depois soltava todas em algum dos quintais disponíveis. Aqueles que encontravam um besouro, ganhavam a competição. Enfim, tempos que correram fustigados pelos seres humanos apressados a envelhecerem. Se me perguntassem àquela época sobre os dias de hoje, responderia que os mesmos estavam tão distantes que minha imaginação era incapaz de elucidá-los
Tem um bom tempo que não volto à rua descrita, mas ela sempre vem a mim em reminiscências. Assim como tal, também tive novas construções que preencheram minha mente de pensamentos e ideias. Já não porto mais a simplicidade infantil descontraída e o semblante de criança que corria nos domingos sabáticos.
É interessante pararmos para pensar nisto: mesmo hoje estando distante fisicamente, o ambiente se concretiza em mim, pois, assim como a rua se transformara em avenida, eu também me transformei com o tempo. No entanto, o início da jornada que nos é atribuída sempre será o mesmo. Se voltar hoje pelas calçadas onde brinquei, verei a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário marcando seu início. Se levar a memória aos primórdios de meus raciocínios, também encontrarei as bases que assinaram a gênese de minha caminhada.
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