Fragmento do Tudo e do Nada
Tentei escrever alguma coisa, mas lembrei que tudo já tinha sido escrito.
Daí refleti sobre o conceito de tudo e nada obtive.
No fim, escrevi tudo sem ter nada e nada tive escrevendo tudo.
Que coisa clichê! Parece até uma daquelas frases de pano de prato.
E para piorar, a rinite resolveu atacar.
Vamos ser sinceros aqui: a real é que o conceito de tudo está bem próximo do de nada.
Ouso dizer que ocupam o mesmo lugar.
Quem tem tudo, de nada precisa. E o montante se reduz ao vazio de uma existência pesada.
Na busca incessante pelo tudo, estamos mais perto do nada. É um paradoxo.
Quanto mais próximos do tudo, mais distante ele se mostra.
Sempre é bom que falte algo para corrermos atrás.
Contudo, a sabedora faz com que enxerguemos o equilíbrio entre as partes.
Assim podemos preencher os espaços vazios com o vazio que lhes cabe.
É muito importante entendermos que o desejo não pode se viciar em obter sempre mais.
O acúmulo é inimigo da liberdade.
E a liberdade está mais próxima do tudo do que o próprio tudo que se busca.
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