Status por Status
Estou muito superficial para falar de amor. Na verdade, estou muito superficial para falar de tudo.
Quis agora começar um texto buscando entender o que se passa comigo. Fui mesquinho demais para saber sobre as nuances de tal complexidade. Talvez nada esteja se passando.
Parece que tudo voltou como era antes. E se eu havia aprendido que só sinto aquilo que me permito sentir, já me esqueci. Voltei à sombra da ignorância.
O dia passou, a noite chegou e se foi outra vez. Agora outro dia dança a tristeza da saudade. Para mudar de mentalidade, foi preciso mudar o meu quarto. Trocar os livros de lugar, arredar a cama, tirar a poeira, fazer nova distribuição do velho modelo que se estendia há meses. As velhas lembranças, os velhos fantasmas... Sigo na esperança de que eles se foram de vez.
Nesses dias tenho trazido uma melancolia nas palavras. Essa simplicidade toda esconde uma ferida. A capacidade poética foi-se embora. Deu lugar à trivialidade de um contexto extremamente normal; expressão de incertezas dentro de horas iguais em um dia qualquer.
O poeta morreu. Como outras vezes havia morrido. Mas agora é diferente. Ele morreu, sim. E sinto que vai renascer em outro lugar. Longe de mim. Ele cansou das lamúrias do "não fazer". Da lança que procrastina no compasso torto de um círculo imperfeito. O poeta se cansou da espera de um milagre, da maturidade repentina, das oportunidades escondidas no horizonte sempre à frente e nunca aqui.
Ele renascerá longe daqui, de fato. Poeta orgulhoso que age por conveniência. Só aceita estar onde o campo é fértil. Não tem coragem de enfrentar o deserto comigo. Eu não me importo mais. Não me importo mais com nada que venha dele. Status por status, prefiro ficar com o vazio que me completa. Ao menos ele me dá paz e não enche minha cabeça com coisas desnecessárias como as do poeta falido que partiu sem dizer adeus.
Comentários
Postar um comentário