Tudo para o Alto

Se eu falar que brinco com as palavras, estou mentindo.

As palavras brincam com meus sentimentos, e eu sou domado por elas.

Elas escolhem quando vêm e vão. Escolhem o que desejam mostrar e o que escondem.

Eu sou coadjuvante. Batedor de teclas. Vivo às sombras da história.

Inseto noturno, incomodando os ouvidos de quem tenta dormir...

Escritor de meia-tigela vestindo-se de falsa cultura.

O mais ignorante de todos os seres, tentando encontrar frases que se encaixam no vazio de sua existência.

Uma bagunça... Em todos os sentidos.

Já quis viver da verdade um dia, mas ela me feriu gravemente.

Desde então ando de mãos dadas com a ilusão.

Pra quê?

Não sei. Só sei que eu me acostumei assim.

E agora estou envergado com o peso da vergonha. 

Meus ombros doem, e eu não sei o caminho de volta para casa.

Se algum dia eu tive uma, eu não me lembro.

Sinto frio, solidão, desamparo... 

Ando sozinho na beira do precipício.

A qualquer instante vejo que posso cair e tenho a impressão de que as palavras que saem de mim por vontade própria vão me salvar da queda. Uma balela patenteada pelo desejo de escrever.

Perdi a vontade de ser tudo isso. 

Prefiro esconder-me nas vertentes do que não foi escrito. 

Cansei de ser escravo dos textos repetitivos e dos contos inacabados.

Agora estou jogando tudo para o alto... Esperando alguma coisa cair de volta.

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