Explosões do Ego
Aquela mesma história — da culpa de não ter vivido a vida conforme gostaria — rolou para longe e caiu fundo, sabe-se lá onde. Depois eu entendi que vivi do jeito certo, que coube perfeitamente no espaço do meu cerne latente e bruto.
Eu chorei rios, sim; vivi a solidão nos prados dos gritos inaudíveis; sentei-me de frente para o mar sem entender as batidas das ondas; era tudo superficial e obtuso. Até que eu adormeci e sonhei com alguém preso pelas grandes que soldei nos limites do meu coração.
Não quero escrever sobre isso. O texto ganhou vida. Ele está conduzindo o percurso das palavras e eu não me sinto pronto. Vou parar, por ora. Respirar... E tentar aprender algo substancial para ocupar minha mente. O que vivi passou. O que vivo são explosões do ego tentando tomar conta de novo. Mas ele não vai conseguir. Apesar da sua capacidade de se camuflar. Não o darei voz.
Cada vez mais consigo parar e observar as folhas da hera avançando para dentro da janela do meu quarto. Trazem um sinal por seus galhos enroscados, presos no muro chapiscado. Sonho de fantasia numa infância distante. Outrora brincava de ser adulto não sendo, e batia o pé para firmar tamanha inverdade. Hoje busco minha criança interior sufocada pelo peso da experiência. Amiúde encontro trechos de risos soltos que me recordam aquela época.
Cansei. Nem sei mais se quero escrever. Nada faz sentido. E o sentido nada faz. No fim, somos apenas perdidos fazendo tudo. E de tudo, saímos mais perdidos.
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