Postagens

Mostrando postagens de maio, 2018

Experiência de publicar no Wattpad: Entre Asas e Raízes

Abracei a aventura de publicar um livro de poesias no Wattpad pois há muito venho acompanhando relatos de autores que obtiveram grandes retornos na plataforma. A obra reúne alguns poemas que escrevi no ano passado, relembrando as experiências da minha infância no interior de Minas Gerais e do contato direto que tive com a natureza durante minha fase de crescimento. Intitulado de Entre Asas e Raízes, sua primeira análise foi disponibilizada ontem no Pena Pensante; por isso não irei abordar os detalhes da obra nesta publicação, mas apenas compartilhar a experiência que os dois primeiros dias de "autor" trouxeram a mim. Como todos sabem, esses meios são livres, gratuitos e acessíveis a qualquer um. Quando vi minha pasta de escritos no computador, logo pensei que deveria encontrar um lugar para publicá-los; isso seria melhor que deixá-los esquecidos do jeito que estavam. Recordei-me então deste site bem popular e quis dar uma chance ao processo — que, por sinal, é bem parecido co...

O Grão de Feijão e a Semente de Laranja

Em uma outra pérola que compõe o cordão de histórias fascinantes de minha vó, eis que reluz o episódio do grão e da semente. Estava eu menino na cozinha, brincando com minhas miudezas, enquanto dona Zulmira terminava de fazer o almoço. Panela de pressão chiando, fumaça subindo ao teto, uma melodia já esquecida ecoava pelo ambiente na voz trêmula da velha senhora. Lembro-me de ter feito uma pergunta simples para a mente infantil, porém complexa ao emaranhado de pensamentos adultos: "Se o feijão vem da terra assim como a laranja, por que ele não vira uma fruta também?". Como foi bom conviver com a sabedoria dos mais velhos, ainda que por pouco tempo. Com suas mãos cansadas repletas de veias saltadas, vó Zulmira pegou uma semente de laranja, ainda no coador de suco, e um grão de feijão. Chamou-me para fora e introduziu os dois caroços na terra dizendo-me: "Veremos o que acontecerá nos próximos dias". Assim, continuamos nossos afazeres. Na manhã do segundo dia, ouvi sua...

Bem-te-vi na Espreita

Sua fama corria ligeiro por entre os galhos da mata. Todos sabiam que nada parava naquele bico sutilmente comprido e articulado que tanto proseava entre os cantos junto aos prantos. De fato, possuía a capacidade ímpar de estar no miolo... “Miolo?” Sim!!! Onde o fermento faz efeito quando esquenta. É no miolo que as coisas acontecem. Por isso sua presença constante, ainda que coadjuvante; afinal de contas, não era de seu interesse chamar atenção e muito menos ser protagonista. — Lá vai ele meter o bico onde não é chamado. — Os canários queixavam-se uns com os outros. — Para depois espalhar na mata, sempre aumentando um ponto. “Bem te vi!!! Bem te vi!!!” — Pronto — todos da árvore estavam atentos —, quem será que ele viu dessa vez? Assim começava um cochicho interminável, numa mistura de piados: agudos, graves, longos e curtos. Queriam saber quem havia sido avistado. Claro, pois a ave viu alguém... fazendo alguma coisa... — Ouvi dizer que foi a cambacica Susana — disse o sabiá ofegante d...

O Portão que Não Mais se Abriu

A vila se alegrou quando seus moradores souberam no nascimento de Matias, filho de um casal conhecido por aquelas bandas. Seu pai trabalhava na fazenda de café do coronel, exercendo a função de inspetor. Moço carismático, amigável e solícito. A mãe, dona de casa, trabalhava para manter o lar que agora ganhava um novo integrante. Que alegria foi a chegada do menino. Matias crescera como uma criança feliz, brincando nas ruas de pedras com os outros meninos. Corria, cantava e sorria. Às tardes escutava o chamado de sua mãe dizendo para entrar; assim, esperavam o pai chegar do serviço. Jantavam conversando alegremente e dormiam para, enfim, reiniciarem os afazeres mais uma vez. Na escola, Matias brilhava. Se destacava dos demais colegas pelas contas que fazia de cabeça. Decorara a tabuada antes de qualquer um e se orgulhava disso. Ao ouvir o sino, corria para casa, com fome, pensando no que haveria para comer. Broa de milho com café era o que sonhava todos os dias Estava com doze anos quan...

Quando um Cronista Morre

Tal como a definição de crônica tremula entre o início e o fim de um acontecimento com facetas de um curto período que geram histórias entreabertas na poetização, também notamos um movimento no cronista, que dura somente o tempo necessário para extrair a sutileza de seu sólido texto. Depois ele morre. Sim, o cronista morre para renascer em outra história, outro tempo, outras linhas de um contexto inominável. Afirmo isso como pessoa que vivenciou a morte do cronista, chegando a ler seus próprios textos e não se reconhecer nos parágrafos eternizados. Eternizados, mesmo? Perguntei-me como alguém eterniza algo criado em tão curto tempo para morrer em seguida e deixar o trabalho a ver navios. Vejam só: quando um indivíduo se propõe a criar algo dentro dos conceitos artísticos, por livre e espontânea vontade, ele faz isso para se autossatisfazer e, assim sendo, eternizar os sentimentos que transbordam em seu íntimo no instante em que se dedica a isto. O fato de outras pessoas admirarem tal o...

Importância: Uma Bolha de Sabão

Chega a ser engraçado quando paramos para analisar a expressão "dar importância para..", como se ela nos pertencesse e pudéssemos distribuí-la para tudo o que classificamos como importante. Em Minas, a vogal que inicia o termo já foi desclassificada nas prosas estendidas pelas horas sem fim. "Não tem portância , não!", partindo sem deixar rastros de sua existência. Mas, vamos aos fatos: toda experiência que vivemos tem alguma importância em determinado grau ou angulação. Uma vez vivida, gera-se um estágio de formação de novos interesses, dando luz a novas importâncias. É só imaginarmos o arco que cria a bolha de sabão; quando formada, é digna de toda atenção em seu movimento moroso pelo ar. Em um instante, ela desaparece diante de nossos olhos e uma nova bolha é criada. Assim é imputada a relevância dos fatores que constituem nossa vivência. Tal reflexão não abrange a importância atribuída às obras de arte ou aos feitos honrosos que se eternizam com o tempo, já que ...

Ofício da Resenha: Vontade que se Esvai

Existe algo bastante curioso de ser levado em conta: quando ocupamos nossa mente com novas ideias, as antigas param de fazer sentido. Consequentemente, deixamos de ver importância no que antes era tido como o entreposto das atenções, passando a dedicação ao caminho dos planos preconcebidos. Seria isso insanidade? Talvez sim... Mas foi esta a mesma sensação que me moveu a escrever sobre O Homem de Terno Marrom, de Agatha Christie, abrindo espaço para centenas de novas resenhas. Que palavra estranha: resenha. Quando me perguntaram seu significado no início, eu nem soube responder. Meses depois descobri que se tratava da junção do resumo de determinada obra com minha sincera opinião. Vejam só! Novo verbo para o meu arcabouço de palavras utilizáveis. O fato é que muito aprendi com esses textos analíticos, apurando minha forma de escrever e aumentando meu vocabulário. Se hoje consigo fazer uma profunda reflexão sobre determinado assunto, atribuo esta capacidade às resenhas. Mas entendo tamb...

Aquilo que não está nas telas...

Passei por um período onde tinha o hábito de me desligar das coisas eletrônicas ao meu redor, a fim de recolher-me em silêncio para analisar os fatos verdadeiros de minha realidade. Digo verdadeiros por estarem presentes na profundidade dos dias que vivia de forma desordenada, não abrangendo a superficialidade das telas luminosas. Que coisa absurda pensar que a preocupação que consumia minha mente se resumia na carga de informação desnecessária que estava recebendo constantemente. Depois de tantos livros lidos e analisados, será que eu não saberia controlar essa situação? Por volta das 18 horas, passei a encerrar minhas atividades virtuais. Desligava todos os aparelhos da tomada, juntamente às luzes fluorescentes, e esperava a noite chegar. Que coisa maravilhosa era o entardecer! Abria a janela e me atentava ao espetáculo que todos os dias estava à minha disposição. Ao longe podia ouvir uma Ave Maria, vinda do convento das irmãs franciscanas, junto aos pássaros que voltavam para os nin...

De Poliglota para Cronista

Percebi que não havia mais sentido em continuar com o nome Penasso Poliglota para este espaço. A decisão se concretizou por uma série de motivos que me levaram a alterá-lo para Penasso Cronista. De fato, todos hão de convir que a segunda opção melhor concerne ao tema pelo simples fato de enlaçar um arcabouço de textos desorientados cujo conhecimento de idiomas em nada diz respeito. Lembro-me de afirmar na primeira publicação que pretendia fazer uma experiência de troca, buscando praticar minha escrita e apurar meu trabalho no Pena Pensante — site literário onde resenho livros para editoras. Na época, estava entrosado ao estudo diário do italiano e francês, o que me fez acreditar que eu poderia dividir minhas experiências com qualquer um que estivesse interessado. Contudo, nada disso aconteceu. Minha aspiração ao universo literário fez com que eu tecesse curtas histórias que vinham à minha mente, seja pela vivência ou pela imaginação. O resultado foi exposto em mais de cinquenta artigos...