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Mostrando postagens de novembro, 2020

Ah, os pontos finais...

Aos poucos vou descobrindo minha identidade na escrita. Palavras emancipadas à emoção de viver a trivialidade com um toque de aventura. Lugar onde os pontos finais fazem morada. Trabalham. E trazem um suspiro à corrente avassaladora da linguagem. São 11:13 da manhã. Uma onde de ansiedade acabou de me atingir. Meu coração disparou. Apertei o polegar esquerdo com o indicador e fechei os olhos por um instante. Um filme passou na minha cabeça. Um desastre! Um espetáculo de inseguranças há muito escondidas. Meu maior desejo é vencê-las. Transformá-las em nuvens passageiras. Mas como farei isso eu não sei. Por que tudo isso aconteceu? Respostas jogadas fora. Nunca saberei. Só sei que ontem eu era uma pessoa, hoje sou outra. Pensamentos que vão e vêm num cortejo fúnebre no breu do inconsciente. Seria tudo mais fácil se eu pudesse me esconder em um lugar que só eu saberia. Neste lugar haveria apenas flores, pássaros, árvores e cachoeiras. Uma casa esconsa na floresta. Lá eu descansaria. Mas is...

O Maestro da Minha Vida

Minha mente está cansada; meus olhos estão cerrando; o dia vai acabando. Luzes minguantes surgem ao longe. Bruxuleio de memórias estacionadas numa tarde que passou. Neste cenário lúgubre percebo que na vida possuo alguns amores. Amo ouvir Otávio tocar piano. Amo o azul do céu. Amo o vento do entardecer. O sol que vai se escondendo no horizonte. As ondas do mar batendo nas pedras. As aves voando pelas flores da primavera. Eu tenho alguns privilégios nesta vida, de fato. Coisas que poucos terão. A maior delas é Otávio: meu maestro. Senhor das melodias. O que faz as estrelas tocarem a terra de forma harmônica como notas de um piano. Constelação artística que presencio a todo instante.  Nunca entendi a música. Mas tenho acesso a quem entende. Só sei sentir. E sinto exacerbadamente quando ouço Otávio tocar. Não para mim, mas para si. Por amor e paixão que tem à arte. E que arte! Dos grandes maestros que marcaram seus nomes na história. Otávio é um maestro também. De verdade! O meu maest...

O Sino dos Ventos de Minhas Memórias

Alguma coisa mudou em mim, para melhor. Mas ainda não sei do que se trata! Tentarei descrever da melhor forma o que sinto nesta manhã de novembro que já se despede da primavera para dar início ao verão. Pois bem, mais uma que se vai ao longo dos anos. Mais um ano que se vai ao longo da vida. E a vida continua a correr pelas estações, cada vez mais rápida. Pelo menos para minha percepção de tempo. Esse ano farei vinte e seis anos no fim de dezembro. Porém, ainda posso sentir um tilintar da infância em meu íntimo. Nada comportamental ou moralista; está mais para uma brisa fazendo mexer o sino dos ventos prateado que compunha o cenário de minhas brincadeiras.  Lembro-me, sim, de seu som ao longe. Ainda que na minha casa não houvesse um. Eu era uma criança feliz. Sorria e brincava sem parar. Mas à medida em que a idade foi me alcançando, meu semblante vestiu a capa da seriedade e eu nunca mais voltei a ser como era naqueles tempos ventosos. Hoje observo esta manhã que me circunda e per...

Saudade da Minha Cidade

Nada contra a cidade em que cresci: a pequena Mar de Espanha. Tenho plena admiração por sua exuberância natural; cachoeiras, vales, paisagens, florestas, montes e montanhas. O que falar dos riachos de pequenas cascatas? Só beleza! As estradas de terra batida também me encantam. Levam-nos para os distritos, as fazendas, sítios e chácaras. Vez ou outra é possível avistar uma boiada à frente. Carroças e cavalos; canários voando rente ao chão; seriemas desengonçadas e maritacas nas copas das árvores frondosas. Eu cresci próximo a isso tudo. Porém alguma coisa mudou... Minha Mar de Espanha da infância não existe mais. E eu poderia falar muito sobre isso. Textos e mais textos. Mas hoje não vou me aprofundar. Minha cidade ficou fria de uma hora para outra. Não sinto mais o aconchego de outrora. Uma turbulência descomunal tomou conta de suas ruas. O barulho de uma cidade industrial se fez presente nas salas das casas. Principalmente na de meus pais. A varanda onde brincava não traz mais a mesm...

O Segredo de um Relacionamento

O segredo de um relacionamento é ser cúmplice, companheiro, complementar. É estar em harmonia com o entorno das duas partes. Perceber que o que um não tem, pode-se encontrar no outro. Amizade verdadeira! É caminhar e mostrar as belezas do percurso com entusiasmo.  É nadar contra a correnteza do dia a dia, vendo nas horas uma oportunidade de partilha. É poder fazer surpresas agradáveis e compartilhar sorrisos. Também é se alegrar com a felicidade do outro. Estar feliz! Ser feliz! Encontrar um amigo com quem conversar. E passar horas e horas assim, como se o tempo tivesse parado. É encontrar os defeitos e mesmo assim não deixar a admiração se esvair. Ah, quantos segredos... É se orgulhar dos detalhes. É ter a voz como uma canção que acalma.  É amar incondicionalmente, como se não existisse mais ninguém nesse mundo. É navegar em oceanos ora calmos, ora turbulentos. Viver à flor da pele. Deixar a emoção falar mais alto.  Delirar-se. Dar abraços sem fim. Ver pores-do-sol com o...

Voz do Coração

Algumas coisas estão mudando para melhor.  A tempestade da minha mente está cessando aos poucos. Como um rio de águas transparentes, meus pensamentos vêm sendo purificados. Sinal de que estou evoluindo. Lembro-me de, há alguns dias, ter fechado meus olhos e enxergar as perturbações que me estremeciam com frequência. Era, sim, uma tempestade enfurecida. Hoje estou diferente. Consigo ver um oceano azul de águas calmas. Um riacho cristalino cercado por natureza. Um céu claro com nuvens de algodão. Tudo está melhor.  Sei que precisava vivenciar aquela tempestade. E que eu mesmo teria de dar um fim a ela. Consegui. Agora vamos aos fatos: tenho saído mais, convivido com pessoas, rido bastante... A felicidade está predominando. Diferentemente de outros tempos.  Não vou me atentar à época de Juiz de Fora. Tampouco à solidão. Quero expressar aqui meu contentamento por ter superado as fases turbulentas da minha vida.  De forma alguma posso afirmar que fui deprimido. Ou que dei...

Você é Uma Incógnita

 Estou bem reflexivo ultimamente. Tentando me conhecer melhor. Alguns já disseram isso para mim: Filipe, você é uma incógnita. E estão cobertos de razão. Posso dizer: nem eu mesmo me conheço. E busco este conhecimento cada vez mais. E venho refletindo muito sobre os caminhos que já percorri nessa vida. Me calei tantas vezes quando poderia falar. Me contive quando poderia extravasar. Me recolhi quando deveria me apresentar. Me escondi quando deveria irradiar. Pois é. Eu era assim. E acabei construindo uma esfinge dentro de mim.  Era a vida que eu tinha. Hoje só me resta alguns reflexos dela. Aos poucos vou sendo purificado dessa fase obscura que percorri por um bom tempo. Não queria ser uma incógnita. Um ponto a ser descoberto na constelação. Mas está tudo bem. Acredito que a cada dia eu me encontro mais nessa noite sem estrelas. Aos poucos as nuvens vão se dissipando, desvendando as maravilhas do universo que existe ao meu entorno. Vejam: minha mente não para. Nem um pouco! On...

Que Confusão

Que vontade de escrever que tive ontem. Não sei por que não escrevi.  Na verdade, sei, sim. Ontem, antes de dormir, deitei-me com a face para cima e fechei meus olhos um instante. Havia muita confusão em minha mente. Muito barulho.  Então, tapei os ouvidos com os dedos e tentei relaxar. Os barulhos aumentavam. Eram como trovoadas estremecendo minha cabeça. Até os raios cortando o breu eu conseguia ver. Tentava mudar o cenário em vão. Multidões não paravam de falar. Vez ou outra me encontrava sobre as ondas de um oceano enfurecido. Até mesmo um vulcão em erupção surgia diante de mim com lavas jorrando para todos os lados. Quanta perturbação. Algo gritava. Talvez meu dia tivesse sido bem intenso, mas não... Nada disso. Era barulho interno mesmo. Do qual não consegui me livrar, pelo menos não àquele instante. Lembro-me exatamente da sensação. Eu balançava de um lado ao outro estando imóvel. Eu sentia os tremores. Eu os via, ainda que meus olhos estivessem fechados.  Foi uma ...

Desconectado

Fui privado de escrever por alguns dias. Meu computador, surpreendentemente, parou de se conectar a internet, deixando-me à mercê das teclas que organizam minhas ideias. Perdi uma chuva linda que me inspirou à beça naquele momento. Mas toda inspiração se esvaiu no dia seguinte. Lembro-me apenas das folhas das árvores molhadas pela janela. Era notória tamanha felicidade. Perdi também grandes reflexões sobre assuntos variados. Textos que nem sequer nasceram. Foram abortados à força na mais violenta falta de internet. Como se eu precisasse dela para escrever... Eis, então, que surge o questionamento: será que só consigo escrever dessa forma? Conectado? Que tipo de escritor sou eu? O de meia tigela, só pode. Incapaz de pegar uma caneta e um caderno. Ou até mesmo, o celular. Mas que derrota escrever pelo celular. É como tentar ver o horizonte por uma janela pequena.  De fato, com as teclas do computador me sinto mais à vontade, tenho mais autonomia e não corro o risco de minha letra fic...

Um Sábado de Novembro

Não que eu seja obrigado a escrever alguma coisa. Escrevo porque quero. Depois de tantos livros, tantos textos, tantos parágrafos, cá estou eu fugindo dos padrões. Hoje é só mais um sábado qualquer... Um sábado de novembro, de céu azul e muito calor. Lembro-me de sábados tristonhos com ventania e folhas secas; com chuva prestes a cair e solidão. Muita solidão. Quando eu morava em Juiz de Fora era assim. Os sábados vagavam nas paredes do apartamento. A bela floresta que tinha como vista era minha companhia diária. As tardes se tornavam manhãs e os sábados... Estes se perdiam nas horas sem fim. Tão distante agora. Eu poderia ter amigos caso quisesse... Mas havia tantas feridas dentro de mim que acabava por me recolher em silêncio.  Nunca vou me esquecer daquela floresta. Eu sentia a chuva chegar por ela. Suas árvores começavam a balançar e os pássaros voavam para seus ninhos. Predominava um verde escuro estonteante.  Tardes solitárias. Quanta coisa aprendi naquele tempo.  E...

Estou no Controle

Venho encarando meu computador com coragem. Com a certeza de que estou no controle. É bom sentir o domínio de cada tecla, cada ação, cada movimento.  Foi-se o tempo em que era dominado por esta máquina. Agora quem manda sou eu. Eu que faço os textos fluírem. E fluem como rios. Correnteza nada tediosa. Águas cristalizadas expressando verdade e desvendando todos os mistérios de suas profundezas. Ah, grandioso rio das palavras. Os textos fluem naturalmente, sem esforços, sem compromissos, sem obrigações. Eles fluem com sentimento, emoção e transparência. Eu amo este momento. Perpetuo minha essência em palavras. Sinto paz. Os dias estão cada vez mais lindos. O verão está cada vez mais próximo. O sol entra pela porta da sala e me faz companhia. As plantas farfalham de alegria pela vista da janela. Observo-as contrastadas com o azul do céu. Como são lindas. São quase quatro da tarde e ouço as aves vespertinas cantarem ao longe. De fato, a vida nunca para. Eu amo tudo isso. Amo essa sensa...

Minguante das Palavras

Devo ter escrito em alguma tarde, por aí, sobre as cartas para ninguém que transcorro sem pensar. Aliás, penso, sim. Nos anseios do coração e nas inquietações da mente. Depois as leio; todas as cartas. E descubro que cada uma foi escrita para mim. Sim! Eu escrevo para mim, mesmo. Trata-se de uma grande descoberta. Pouco me importa o que pensam. Opiniões vazias não enchem minha cabeça, tampouco falam comigo. Descarto-as. Agora, eu posso dizer uma coisa: as cartas me ajudam. Longas e discorridas. Elas fazem-me sentir alívio. Minhas cartas! Não ligo se ninguém as lê. Eu as leio. E está tudo bem. Ainda que seja a mais linda de todas, permanecerá escondida aos olhos de ávidos leitores. Eles não querem tais cartas. Eles querem ler o que os grandes autores e cronistas escrevem sobre a vida. Nunca passarão os olhos pelos meus textos sentimentais.  Mas eu não ligo, pois, como disse: escrevo para mim. Quem vai querer saber de mim? De palavras desconexas. De linhas desorientadas. Não sou um g...

Escrita é Rio que Corre

Demorei muito tempo para perceber que a escrita é mais sentimental do que racional. Que ela era minha terapia de vida, e que com ela eu conseguia organizar minhas ideias. Demorei, também, para me desprender das releituras viciosas buscando uma harmonização inatingível das palavras.  Depois, tudo ficou mais simples. Percebo, agora, que a escrita é rio que corre. É água sem forma; instável e transparente. Flui como correnteza; ora tranquila, ora turbulenta. Sempre mutável. Para que os padrões? Arte não tem padrão. Arte é livre como um pássaro alegre em tardes quentes de verão. Arte é sentimento pulsando vivo no coração de quem a produz. É vida colorida dançando ao vento. É turbilhão de emoções buscando formas de expressividade. Como eu amo escrever. Como eu amo ser livre.  Por sorte, nas palavras encontro as duas coisas: liberdade escrita.

Manhã que já se foi...

12:35 O computador está sobre a mesa. E eu escrevo qualquer coisa.  Mas o mais surpreendente disso tudo é o contexto no qual me encontro. Vento entrando pela janela e passando por minhas costas.  Ontem era dia de finados e fez um sol estonteante.  Uma surpresa para mim que só guardo na lembrança tal data com chuva e tons cinzentos.  De qualquer forma, hoje o dia está mais cinza do que ontem. Uma música familiar tem invadido o ambiente em que me encontro. Sei das minhas obrigações e das coisas que preciso estudar. Mas não consigo... Nada entra na minha cabeça agora! Preciso encontrar a chave da concentração. Mas essa música... Nostálgica, que me acompanhou por muitos anos.  Faz-me recordar tempos passados, perdidos, quase esquecidos nas entrelinhas rotineiras. Sei que nada do que escrevo agora faz sentido.  Nesse arquétipo poético que nada cabe senão a banalidade. Atentem-se às horas! Já passou do meio-dia.  É tarde! A manhã já se foi e nada estudei....

Tarde de Primavera

Recuperei uma alegria há muito perdida: O êxtase de publicar uma reflexão literária.  Havia perdido esse sentimento nas encruzilhadas da vivência. O dom da escrita estava preso dentro de uma caixa no sótão. Tomado de poeira e teias de aranha.  Que saudade da sensação de dever cumprido, de escrever um bom texto e refletir em profundidade sobre histórias compartilhadas. Ah, o amor à literatura. Um dos maiores tesouros que carrego dentro de mim. Foi este mesmo amor que me deu o dom da escrita — e hoje me orgulho. Pobre de mim tê-lo deixado esquecido em um local escuro e frio. Há muito não via a luz do sol, ou sentia o vento correr por suas páginas amareladas. Seria mesmo um dom? Um presente? Semelhante a um livro lido e relido e, por ora, esquecido... Mas recordado! E amado. E para completar: hoje a tarde está linda. Estou amando tudo isso! O céu está alaranjado e azul. Tudo está perfeito. Como disse: o verão se aproxima mais uma vez, trazendo calor para todos. Agora, não mais pa...

É o Verão que se Aproxima

Ainda que minha cabeça esteja cansada, venho aqui deixar um grão de areia perdido na praia literária dos meus pensamentos. Falando em areia, hoje encontrei alguns grãos no bolso da minha bermuda. Que saudade do mar... De tudo aquilo que ele faz com suas ondas batendo nas pedras. O vento batendo no meu rosto... E o dia passando devagar. As manhãs estão bonitas ultimamente. O azul do céu tem me fascinado como nunca.  Tons de verde viram prata aos meus olhos. É claro que as plantas ficaram felizes com o sol, farfalhando suas folhagens sob seus raios, prateando suas nuances.  É o verão que se aproxima. Vontade de viver o novo.  De superar as dificuldades e ultrapassar barreiras. Ir além do que já fui um dia. Ser capaz...